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segunda-feira, 25 de junho de 2012

O teu silêncio


O teu silêncio

Torna-se quase impossível sobreviver
O silêncio mata-me
Vocês não ouvem?
Nem eu!
Impossível absorver…
O perfume da solidão
Vocês não ouvem?
O silêncio é teu!
Pensava que sentia o comboio passar
Mas no silêncio… Era o meu coração
Vocês não ouvem?
Não sou eu a sonhar
É o meu coração a bater
Eu sinto… Parecido com o soluçar
Um amargo entristecer
Do silêncio do amar
Impossível sentar à espera
O mundo parece não girar
O meu tempo já não é o que era
E o meu coração suaviza meu respirar
O silêncio é um barulho que me inquieta
Dói…
Mói…
Corrói…
Sinto o espetar de uma seta
Uma vontade de amar
O impossível sentimento auditivo…
Fala comigo
O teu silêncio é o meu castigo
Perdão…
O teu silêncio é dor que não quero
Espero…
Sou no silêncio, o estender de uma mão

José Alberto Sá

domingo, 24 de junho de 2012

Sempre verdadeiro


Sempre verdadeiro


Não consigo mais...
Meus braços já não te alcançam
Meu beijo secou
Mesmo com música, meus pés não dançam
Meu sorriso evaporou
Não consigo mais...
Cada foto tua que vejo, é o elevar dos sentidos
A tua pele de menina
O teu sorriso de bebé
Cada vez que te olho, sinto os gemidos
O bailado da libelinha
O teu corpo, o teu cheiro, num gole de café
Não consigo deixar de pensar em ti
Estás em tudo que alcanço
Não consigo mais...
Até a lua te reflete... Eu vi
Até o sol me dá o teu calor...
Até o mar é o teu rosto, lindo e manso
Até a terra tem teu perfume, o teu amor
Não consigo mais...
Em cada flor, eu vejo que me olhas
No céu vejo teus cabelos ao vento
Nos livros que escrevo, és tu que desfolhas
Até as palavras és tu que as ditas
Não consigo mais... Por quanto tempo
Sei que não acreditas
Sofro a cada segundo
És o ar que respiro
Vejo-te no alto, vejo-te no fundo
Não consigo mais... Te admiro
Então, já nada mais vale a pena
Sou um fracassado
Um inválido que sai de cena
Um ser mal amado
Incompreendido
Sofrido
Mas sempre verdadeiro, não choro
No meu mundo, onde moro
Te quero
Te amo
Te adoro

José Alberto Sá

sábado, 23 de junho de 2012

Aparição


Aparição

Escutava o velho
Sentia nas rugas o suor do tempo
A mão tremula apontava
Chamou-me... Fedelho
Falou-me com poder, numa voz de vento
Boca sem dentes que sabedoria mordiscava
E eu o admirava
Não tive medo... Ele era sábio
Roupa imunda e rompida
Saliva saltitante, corte no lábio
Olhos vidrados... No olhar da vida
E eu continuava a escutar
Ele tudo sabia... Tudo...
Falava de um mundo impossível
Eu não tive medo, o saber fazia-me mudo
Falava de uma vida incorrigível
Ele sabia do passado... Tudo me contou
As unhas imundas eram pretas
Eu... Não tive medo... Ele jurou
Que o que dizia, não eram tretas
O velho... Por fim sorriu
Olhou de novo para mim, me tocou
E me chamou...
Fedelho... Um calor por mim subiu
E ao me largar, não queria acreditar
Somente no chão uma borboleta
Uma alma que se iluminou
Ficando na vez de um velho que se evaporou
Eu... Não tive medo
E não é treta
Deus era o velho sábio, que me confirmou
Que a vida de ontem já passou
A de hoje ele explicou
A de amanhã será a vida que com Ele levou
Eu... Não tive medo... Deus me amou

José Alberto Sá

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O beijo da borboleta


O beijo da borboleta

Sentado no penhasco, ouvia as flautas dos pastores
Olhava o rio, caminhando para o mar
Imaginava-me a correr, para algo abraçar
E sorria, ao ver as ovelhas brincar por entre as flores

Uma manhã calma, onde as borboletas se beijavam
Miravam-se atravessando no seu bailado, o espelho do rio
No meu penhasco chorava, um coração frio
Saudades, verdades de tempos que me amavam

Tentava ali renovar, queria eu voar nas asas de um gemido
Recordar o tempo onde aos teus olhos vivi
Um coração, uma lágrima, um sentimento banido

Recordava o teu sorriso, olhando para o céu, olhava para ti
Na melodia das flautas, sentia-me de novo atraído
Sonhava que te beijava e de momento te senti


José Alberto Sá

Carro de marfim


Carro de marfim

Num carro de marfim, sentei-me com a lua
Os cabelos cor do sol, seu peito tentador
Fez-me sentir um rei, quanto amor
Disse-lhe: Quero ser teu. Respondeu: Quero ser tua

Suspirei, não queria acreditar e belisquei
Acordei com a dor e ela era de verdade
Num carro de marfim, quanta vaidade
Amamo-nos ardentemente, eu não sonhei

A sua luz, o seu clarão, a sua…
Guardei nos meus olhos aquele céu
Na minha boca senti sua pele nua

O seu ondular, o seu brilho, era todo meu
Húmida, delirante, amando na rua
À beira mar, o meu amor, no carro teu

José Alberto Sá

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Lágrimas


Lágrimas

São as lágrimas
Os olhos enevoados por algo perdido
No céu azul o brilho é da saudade
Sinto escorridos pela face
O pingar da dor sem liberdade
Os olhos vermelhos, um corpo dorido
E eu peço… Peço que a alma,
ultrapasse…
São lágrimas a poça no chão
O lago no fundo do vale
São lágrimas o mar, toda a imensidão
A dor, a mágoa, o vazio…
Não há quem cale
O frio….
O vento que sopra no meu olhar
A brisa do meu respirar
Quase em uníssono
Lágrimas sem dono
O rio corre tentando o mar alcançar
A dor é a lágrima, uma gota
Mais uma… Outra que vos quer falar
A ti… Menina marota
Não consigo parar de sofrer
Limpei a última lágrima, mas outra veio
Sou um impotente ser
Que deseja uma lágrima no teu seio
São lágrimas, a chuva que cai
O céu sente a minha dor
A terra larga o queixume que de mim sai
O mar é a saudade, o pedido
… Vem por favor
Vem ver uma cara triste
Uma lágrima em cada poro
Vem e mostra-me que o amor ainda existe
… E eu não choro

José Alberto Sá

Inesquecível


Inesquecível

Lembras-te dos pés marcados na areia fina
Ainda hoje o tempo não apagou
Estão cravados por mim acima
Numa saudade que nem o vento levou

Lembras-te do beijo molhado
Perto do mar, na duna que me cativa
Ondulada viagem num corpo amado
Molhado, por gotículas da minha saliva

Deves recordar o momento para lá do céu
Olhos revirados pelo delirar
Respiração ofegante, batida de um coração meu

Dois corpos abraçados num louco amar
Estasiadas vontades num corpo teu
Pés marcados na areia, para recordar

José Alberto Sá