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domingo, 17 de junho de 2012

Só mais uma vez


Só mais uma vez

Pediste-me vezes sem fim
Que fosse eu um anjo
Olha para mim...
Não sei como me arranjo
Não consigo mais voar
Quiseste que eu fosse o teu mar
Que eu fosse imenso
Olha para mim...
Já não consigo nadar
Nas águas do teu olhar
Somente consigo chorar quando em ti penso
Pediste-me que fosse a tua praia
Que na areia corresse para ti
Olha para mim...
Sonho com as ondas da tua saia
Recordando o amor que senti
Somente sei fazer um coração na areia
Olha para mim...
Para ti correria sim, de alma cheia
Mas tu me pediste os astros do céu
Pediste-me que fosse o sol
Mas somente sou eu
Com o perfume de um girassol
Olha para mim...
Querias que eu fosse uma flor
Um botão perfumado quando brota
Mas eu... Somente sou amor
Igual ao voar de uma gaivota
Olha para mim...
Não me peças que seja diferente
Leva-me para ti como sou
Serei em ti uma semente
Serás para mim, o que o meu coração sonhou
Olha para mim...
Só mais uma vez, sente o meu escrever
Verás a esperança numa lágrima transparente
Um escorrido desejo de te ter
Mas olha para mim... E sente

José Alberto Sá

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Não digas... Mostra


Não digas… Mostra

Dizer, não é fazer
Fazer é mostrar
Mostrar é dizer que se fez
Então não digas, para eu crer
Faz com que eu veja e fique a gostar
Mostra e não digas, não quero saber
Se não dizes…Eu vou entender
Mas se mostras, vou amar
E se amar, não vais esquecer
Que sem dizer…
Somente mostrando
Fizeste-me crer
Que deves em quando…
Na louca surdez
De uma boca que nada disse
Mostras a tua nudez
Mesmo que não a pedisse
Isso é não dizer, é fazer
É mostrar
É crer
É amar
No silêncio do pedido
Na quietude do fervor
Nada dizer… nem tudo perdido
Tudo mostrar ao louco amor
Cala-te e mostra a vontade
Fala em gemidos… Teu apetecer
Mostra a voracidade
Vem e devora-me… Quero ver
Corpos se entrelaçando
Sem dizer…
Mostrando

José Alberto Sá

Abutres


Abutres

Derrubam as mentes humanas
Não nos deixam pensar
Hipócritas de vontades mundanas
Que derrubam as vontades de amar
Amar o tempo
Amar a natureza
Pensar no vento
Pensar com clareza
Todos os dias, me perco em palavras pobres
De manhã acordo já sem vontade
De tarde continuo sem ouro, sem prata, sem cobres
À noite deito-me, para dormir pela metade
Sonos pequenos inquietos
Olhos abertos pensativos
Ódio dos que dizem ser os espertos
Que fazem por fazer… Nunca assertivos
Derrubam pensamentos de amor
Deixando na terra o suor inocente
De culpados que vivem somente da dor
Aqueles que gritam: Só queremos ser gente
Aqueles que já não conseguem chorar
Incapazes, impotentes… Abandonados
Sentimento de carcaça para explorar
Por uns abutres alados
Assim sinto o tempo de agora
Amanhã talvez os ossos que os esganam
Os venham buscar a qualquer hora
A mim já não enganam
Vão-se embora…
Abutres


José Alberto Sá

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Espero-te


Espero-te

Sacia-me
Desperta-me
Enriquece-me
Só tu completas continuamente
A minha alma
O meu caminho
És a semente
A calma
Que prospera
És a quimera
Sacia-me só um pouquinho
Desperta-me e sente
O passado não muda
Hoje o único momento
Sejas o sol de verão
De inverno a chuva
Para mim o vento
Importa-te
Não hesites
Ama-me intensamente
Beija-me
Se admites
Que sou gente
Ama
Pois... Nem a morte
Nem a sorte
Chama
Derrama-me em teus lábios
Ilumina-me com teu olhar
Seremos sábios
Sacia-me
Vem-me amar


José Alberto Sá

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dentro e fora de mim


Dentro e fora de mim

Olhei para dentro de mim
E senti que meu interior ama a vida
Uma vastidão de sentimentos,
me disseram que sim
Que dentro de mim,
não há despedida
O sangue fervilha
O coração acelera
Meu cérebro se maravilha
Sabendo que existe dentro de mim, primavera
Meus olhos transportam para dentro, toda a beleza
Meus ouvidos transportam, a natureza
Dentro de mim a melodia
Meus membros transportam o meu interior
E todo o meu corpo é em mim uma certeza
À noite descanso do amor
De um amor que vivo durante o dia
Minha boca transporta a saliva do amar
Meus dedos transportam a sensação do carinho
E dentro de mim eu sinto voar
Um vento, um sol, teu colo, meu ninho
Dentro de mim vives tu
Eu sou a tua casa o teu lar
Dentro de mim sou um ser cru
Fora de mim, vestido para gostar
Tua cara de boneca
Tua pele de bebé, doce e perfumada
Tua voz o embalar para uma soneca
Dentro de mim, minha amada
Dentro de mim escrevo o que sinto
Fora de mim escrevo para que vejas
Dentro de mim escrevo e não minto
Fora de mim sou teu,
O corpo que desejas
Se dentro de mim o ego é meu
Fora de mim o corpo é teu

José Alberto Sá

terça-feira, 12 de junho de 2012

Não dá para pensar


Não dá para pensar

Quando amo
Amo mesmo e esqueço o tempo
As horas são momentos apetecidos
Quando amo
Amo mesmo e esqueço o vento
Os sussurros são ventos aquecidos
Quando amo
Amo na leveza de uma borboleta
Pousando com meus dedos suavemente
Deixando-a tremer
Quando amo
Amo na luz de um cometa
Agarrando o corpo docemente
Deixando-a derreter
Tudo quando eu amo
Deslizo sobre ela, imaginando-a de mel
Beijo-a nos lábios carnudos, procurando humidade
Quando amo
Sou na tela o pincel provocante
Pinceladas firmes... Penetrante
E a cada instante
Eu amo ainda mais
Não se ouvem palavras, somente gemidos
Não existe tempo para pensar
Vontades carnais
Mentes humanas... Crescidos
Num louco amar
Quando eu amo...

José Alberto Sá

Perdido


Perdido

Não me leves a mal
Só porque não te esqueço
O meu pensamento é o meu vendaval
E eu sei que mereço
Vergo-me arrependido…
Se durmo… Sonho contigo
Se acordo… Vejo-te na luz
Vejo-te na água onde me lavo
Vejo-te na minha cruz
O meu merecido castigo
Viver sem ti…
Vergo-me querendo ficar contigo…
Se caminho… Oiço teus passos
O vento traz o teu perfume
As flores lembram teus abraços
E eu… Mereço todo este queixume
Sofrer, pelo que não senti
Vergo-me arrependido…
Se choro… As lágrimas brilham como tu
No meu sorriso… Oiço a tua voz de menina
E eu… Mereço sentir-me nu
Viver com os erros,
com a luz que já não ilumina
Vergo-me querendo ser teu amigo…
Vivo no mundo vazio
Uma ave sem voo… Sem pio
Preso entre grades de um louco aperto
E eu… Mereço não estar liberto
Agora sinto vontade de ti
Sozinho tentando esquecer
As palavras que recebi
E me fazem sofrer
Vergo-me arrependido…
Estás feliz sozinha
Numa procura de um amor perfeito
Mereces, alguém que te acarinha
Eu seguirei uma vida sem jeito
Vergo-me pedindo o teu abrigo
Fica comigo

José Alberto Sá