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domingo, 27 de maio de 2012

O tempo que sinto


O tempo que sinto

Vivo num tempo,
onde cada pancada eu sinto
Cada batida é pó que se solta
Poeiras fugidias de mim
Fugindo pelo trilho... Lento... Lento
O tempo que não pinto
Trilhos de flores sem jardim
É o tempo dentro de mim
Tempo que passou sem esquecer
Memórias gravadas no pó
Da terra de cor castanha
Que me seca a garganta do apetecer
Tempo sem trigo, sem mó
Tempo de dor na entranha
Vértices cortantes sem pudor
Esquinas oriundas do vazio
Pilares carregados de dor
Equilíbrio sem vara, na ponta do fio
O tempo de agora
Vamos embora...
Vamos à luta...
O tempo não para
Ele nos devora
Como os vermes que comem a fruta
Tempo onde eu vivo e me desvio
Olhando e procurando nunca esquecer
Que no mar navega o navio
Na terra ama o meu ser
O tempo que passa
Um tempo que abraça
Uma vida na raça
Que o tempo quer escurecer
Mas por mim não...
Na minha mão...
O tempo não vai morrer

José Alberto Sá

Naquela estrada


Naquela estrada


Por entre uma lágrima senti
Vontade de brincar às escondidas
Correr atrás de uma bola
Olhando para trás num mundo que vivi
Uma vontade de fazer muitas partidas
Correr e saltar como quem hoje pede esmola
Que bom era ser menino,
levado ao colo
Sorrir, cantar, gargalhar,
mesmo sem ter piada
Hoje... Com esta lágrima, apalpei o solo
O caminho agreste de hoje...
Aquela estrada!
Estrada de sonhos, estrada da terra
Caminho da saudade
Uma estrada que no meu coração berra
Era menino,
eu era verdade!
Esta lágrima que choro e que deixo cair
Não é mais que o medo de crescer
O medo de não conseguir
Ver a minha estrada desaparecer
Hoje...
Apetece-me deitar no meio de ti
Estrada... Que me viu de socas calçadas
Pobre, mas feliz por ter uma estrada mesmo ali
Rico, porque o meu coração,
tem as pedras gravadas
Pedras da minha estrada
Em menino traquinava ausente do mal
Por isso amei aquela estrada asfaltada
Terra impregnada de felicidade
Terra colossal
Terra de amigos, a minha vaidade
Hoje já não corro... Somente caminho
E ao olhar a minha estrada
Vejo todos os momentos nela passados
Recordo os amigos com carinho
Por isso largo esta lágrima gravada
Na saudade de menino

José Alberto Sá

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Retrato pintado


Retrato pintado

Base…
Película aderente em pasta
Grão que altera
Uma face à rasca
Uma ruga
A fuga da imagem
Que é e não era
Miragem
Pintura abstracta
Insegurança
Que a pele mal trata
Desconfiança
De que ser bonita
É não ser fosco
É para quem acredita
Que a menina bonita
É em qualquer rosto
Traço azul, sobre o olho
Lábio carmim
Cativa qualquer mirolho
Mas não a mim
Gosto da simplicidade
A cara sem base
A verdade
Um amor conseguido… Quase
Só assim eu amo
Porque eu adoro
A noite e o dia
E não me engano
No rosto onde moro
Ser natural… pura magia

José Alberto Sá

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Rasgo-te


Rasgo-te

A mente transporta-me,
a ti meu amor
Pára não me faças isto!
A força do pensamento leva-me,
até ti minha flor
Pára…
Eu… Rasgo-te…
Olho o céu azul e a claridade é desejo
Olho o mar e vejo teu ondular
E eu… rasgo-te pelo que vejo
Pára…
Rasgo-te…
Pela vontade de te amar
Se me falas, sinto o sangue correr
Pára não me faças isto!
Se dizes… Amo-te
Sinto uma sensação esquisita
Rasgo-te… Acredita
Rasgo-te…
Pela vontade cravada no meu coração
Por isso pára…
E se te vejo por perto
Sinto o amor liberto
Que bela erupção
E aí…
Rasgo-te como quem abre castanhas
No assador, fogueira em brasa
Rasgo-te pela imaginação de tuas entranhas
Num fogo que me arrasa
Pára, não aguento…
Rasgo-te olhando o horizonte
Como quem mergulha no mar revoltado
Meu unguento…
Rasgo-te para saciar minha fonte
E rasgo-me por estar apaixonado
Por isso pára…
Rasgo-te se me rasgares
Rasgo-me se me levas
Rasgo-te voando pelos ares
Rasgo-me no pecado das tuas trevas
Mas agora… Não pares…

José Alberto Sá

Contigo todo o dia


Contigo todo o dia

Levanto-me para viver
E sinto felicidade
Porque não te esqueço
Pela manhã sou uma nova vida
Sou o sol ao amanhecer
O vento em liberdade
A luz que me é querida
Porque não te esqueço
Caminho de mãos dadas com o pensamento
A água em minha cara me purifica
Olho-me ao espelho e faço juramento
Jurando que te amo… Acredita
Porque não te esqueço
Ao sair de casa, levo-te comigo
Pelo caminho és a minha companhia
Sinto teu cheiro, meu castigo
Oiço tua voz a minha alegria
Porque não te esqueço
Trabalho contigo a meu lado
A todo o instante falamos
E no regresso a casa, sinto-me acarinhado
Por mais um dia que nos amamos
Porque não te esqueço
À noite vem a saudade
Sinto a tua falta e adormeço
Ansioso por acordar de felicidade
Esperando por ti
Porque eu não te esqueço

José Alberto Sá

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dancei com as flores


Dancei com as flores

Nos meus ouvidos a música suava
Melodia que a terra fazia tremer
Aurora no ar pelo som que amava
Em cores perfumadas ao amanhecer
Eram sons da mente em transe…
Voz feminina em canto de capela
A minha incerteza no vou ou não vou
Imaginei-a doce e quis vê-la
Flutuando apareci à janela
Meu olhar se hipnotizou
Eram sons da mente em transe…
No meu jardim todas as flores dançavam
Os lírios baloiçavam ritmados
Os cravos aromatizavam o meu jardim
As margaridas marchavam com os namorados
E toda aquela música vinha até mim
Dançando em transe…
O alecrim tentava o namorico
Os jarros de roupa branca e gravata amarela
Faziam parte do coro, momento rico
E eu delirava junto à janela
Transe em meus olhos…
As tulipas de saia de roda me encantavam
A voz de uma menina, chamada rosa
Era agradecia todos os que a amavam
E ela sabia, estava vaidosa
Em transe de amor…
O meu jardim me transportava para o sol
Saí da janela e quis também dançar
Que belo e doce canto do girassol
Que com a rosa cantava, voz de tenor
Abri a porta… E nada!
Estava a sonhar
Em transe…

José Alberto Sá

Pacto não...


Pacto não…

Sangue…
Querias fazer um pacto
Saímos de mãos dadas pelo caminho florido
Mas de facto...
Um pacto pode ser algo sofrido
Uma jura ou mentira
Uma vontade que talvez…
Uma dádiva ou algo que me tira
O sangue da veia, a jura que não vês
Pacto até à morte
O infinito querer no futuro
Uma carta, azar ou sorte
Uma sina que atravessa ou não, o muro
Pacto de sangue, união
Jura ao sol, jura na lua
Palavras juradas, alguma razão
Em vontade vestida, por vezes nua
Nua de imaginação
Pobre pacto que não existe
Jurar é mentir, ornamentação
De uma vaidade que não resiste
A um mundo de ilusão
Pacto sem sentido
Pacto sem verdade
Sangue por se ter mentido
Então… Sangue não
A vida é simplicidade

José Alberto Sá