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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Quero/não quero


Quero/não quero

Quero!
Não quero!
Já duvido de mim mesmo
Sou carne ou gordura
Torresmo
Mente fraca, mente pura!
Quero!
Não quero!
Dá tudo no mesmo
Já duvido da vontade
Sou inteiro ou sou metade
Eu me meço sem medida
Quero!
Não quero!
Mente achada, mente perdida
Já duvido de tudo
No que quero e não quero
Surdo ou mudo
Facilidade, dificuldade
Numa mentira ou verdade
Quero!
Ou não quero!
Já duvido do amor
Sou fiel ou impostor
Não duvido
Que ser pequeno ou ser crescido
É ser dor
E eu não quero!
Cegar ou ver
Quero!
Nada… Tudo ter
Mas… Sem dúvida alguma
Ter muitas ou ter só uma
Que ela chore ou que ela ri
Quero!
Não quero!
Melhor ficar por aqui…


José Alberto Sá

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Berlinde


Berlinde

Um berlinde lindo e perfeito
Coloquei-o sobre ti
Estavas deitada
Coloquei-o no teu peito
Rolou por ali
Destes uma risada
Caiu no chão
E com a mão, peguei-o novamente
Sentia o teu coração,
numa batida ofegante
Estavas contente
Era o sentir de um tactear provocante
O berlinde rolava sobre o teu prazer
Por entre os seios corria
E o teu corpo me dizia
Brinca comigo, volta a fazer
Coloquei o berlinde num sítio apetecido
Com o dedo o empurrei
Sorriste feliz pelo sucedido
E quase ganhei…
Pediste repetição
Jogamos os dois, um vencedor
e um vencido
Num momento de inspiração
Coloquei o berlinde com muito amor
Na covinha do teu umbigo


José Alberto Sá

A tua luz é amor


A tua luz é amor

A luz que trazias é tão real
Que senti o calor da tua aproximação
Teu sorriso supera de fenomenal
A minha consolação
Quanta claridade emana esse sol
Que trazes em teu perfume
Amo receber sempre em prol
de um amor em brasa, teu lume
Amo a luz de cada momento
Amo o mar a cada instante
Amo o céu no voo do vento
Amo a tua presença, menina amante
A luz és tu, mesmo no escuro
A claridade és tu, se está a chover
De ti respiro todo o ar puro
O calor que sinto, é teu abraço a envolver
Sinto-te em meu mar, linda caravela
Navegando sobre as ondas, de cabelos ao vento
Sinto-te linda e pintada na minha tela
Amo-te na paleta de loucas cores
Arco-íris do teu amor, o meu relento
O perfumado carinho de mil odores
A luz que trazias…
Fez-me parar, olhar-te e suspirar
Vieste até mim e a virgem me parecias
E na luz de teu encanto,
te quis abraçar
Tiras-te o manto
E na luz do teu corpo, quisemos amar


José Alberto Sá

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fumar mata


Fumar mata

Consigo penetrar por entre o nevoeiro
Que não vos deixa ver
Que não vos deixa sair desse cativeiro
Cigarros sempre a acender
Imaginai um jardim e...
...Vinde
Vinde ver
Dai as mãos uns aos outros, não vos perdeis
Caminhai a meu lado sem vos largar
Vinde... Devagar
Não vos canseis
Por entre nevoeiro eu sei respirar
Vinde comigo, pois vamos conseguir
Passar as tormentas de uma luz inexistente
Na ponta do cigarro acesa
Vinde a sorrir
Tereis saúde sobre a mesa
O ar puro virá e nos levará para sempre
Atrás de mim
Já nada resta
O nevoeiro já não presta
E o ar puro é já ali
Ali na nossa frente
Olhai!
Ali o ar absorvente
Parai!
E respirai este ar puro
Sem filtros, sem muro
Olhai e apreciai o mundo que me pediste
Á minha frente o nosso rumo
Não há vício a quem não se resiste
Vinde... Ao mundo do não fumador
Eu... Não fumo
Assim a vida tem outro sabor

José Alberto Sá

Preciso de ti


Preciso de ti

De mãos fechadas
Na testa coladas
Descansava…
De olhos fechados
Imaculados
Chorava…
De joelhos no chão
Pedia perdão
Orava…
Pai do céu… Meu Amigo
Pai do céu… Meu Companheiro
Pai do céu… Meu Abrigo
Pai do céu… Verdadeiro
Olhai para mim, me silencio
Sou um pecador
Pai do céu… Meu Senhor
Sou vosso me penitencio
Peço-te perdão
Peço-te perdão por aqueles que mentem
Pai do céu… Meu Irmão
Pelos que mal fazem e nada sentem
Pai… Não me deixes errar
Pai… Não me deixes iludir
Pai… Somente quero amar
No mundo que me deste
Para viver e sorrir
Pai… Que me veste
Pai… Que me alimenta
Pai… Que tudo já me disseste
O único Pai que aguenta
Perdão… Meu Pai…
Estou aqui a orar
Até que sinta vontade de olhar em frente
E quando me erguer, vou olhar
A Tua cruz e continuar a amar-Te para sempre
Meu Pai… Sou Tua semente

José Alberto Sá

Políticos


Políticos

Vejo-vos sentados na ponta de uma agulha
Política arrepiante!
Uma dor fina mas constante
Um picar aguçado e marcante
Uma dor que bem merecias
Escorregais sobre um corrimão de lâminas afiadas
Assim vos imagino, como num atear do fogo
Incêndios de pobreza vossas manias
Ganância e jogo
Lavareda que devagar nos corrói
Chama em chama cavalgando
Roubo, morte, raiva, a alma que mói
Vosso jogo, que me vai arreliando
Já nem as agulhas vos ferem
Já nem as lâminas vos cortam
Já nem os fogos vos querem
Os desejos de fazer bem, por vós abortam
Porque tu, mal acarinhado… Não paras
Porque tu, mal-amado… Não sentes
Porque tu, rejeitado… És um jogo, coroa ou caras
Porque tu, reprovado… Mentes
Imune, nome que vos fica bem
Indolor, nome que vos deveria chamar
Inglória, é o nome de quem não tem
História para contar
Tu, que roubas… Irritas-me só de te ouvir
Tu, que me despes… Provocas-me só de te sentir
Tu, que me decepcionas… Nada vales
Desabafos meus ou… mesquinhices
Desejo o deslizar de lâminas para que não te cales
Na ponta da agulha vos vejo… Politiquices


José Alberto Sá

terça-feira, 15 de maio de 2012

Um gemido no silêncio


Um gemido no silêncio

Enquanto dormias
Quis eu saborear com o olhar
Todo o teu corpo ondulado
Tu não sabias
Que eu conseguia sonhar,
mesmo acordado
Teus cabelos caídos sobre o ombro
Escondiam um pouco da tua nudez
Um assombro…
E eu no silêncio da timidez,
não te queria acordar
Olhava as ondas de um mar calmo
O teu quadril me fez parar
Meus olhos brilhavam a cada palmo,
ao olhar teu corpo nu
Inacreditável beleza ao meu lado
A única razão do meu silêncio… Tu
Musa por quem me sentia apaixonado
Tinhas a perna dobrada
Escondias de mim toda a magia
Um apetite do tudo ou nada
Fazia parecer que não te conhecia
Ao fundo teus pés de menina
Completava o meu mar
Dormias e te mirei de baixo a cima
Era o mais belo sonhar
Peguei no lençol queria-te cobrir
Encostei-me a ti para sentir teu odor
Olhaste para mim a sorrir
Quisera-mos ali fazer amor
Acordei-te, senti-me perdido
O mar calmo se quis revoltar
E ouviu-se um gemido,
que o silêncio quis quebrar

José Alberto Sá