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sábado, 12 de maio de 2012

Porque escrevo...


Porque escrevo...

Cativa-me pensar em palavras
Preencher linhas com perfume
Imaginar que és tu que as lavras
Como quem planta nas folhas o queixume
Cativa-me olhar cada letra
Dar-lhe um significado
Bailar com elas e minha caneta
Em palavras de renda, meu bordado
Cativa-me expressar movimento
Chorar pelo deslizar do momento
Sorrir às palavras meu convento
Enclausura do meu sentimento
Cativa-me escrever...
Cativa-me sentir cada ponto
Olhar o ornamentado amanhecer
Dormir sossegado sem confronto
Cativa-me ter fé...
Escrever na vontade e sonhar
Cativa-me a força, olhar-me de pé
E sentir nas palavras o voar
Escrevo... Não sei porquê!
Esta vontade não me deixa
Cativa-me a imagem quando se lê
O amor na palavra que não se queixa
Cativa-me sentar e olhar o papel
Poetizar no meu jardim, a mais bela flor
Amar palavras com sabor a mel
Abraçar a escrita, o meu amor

José Alberto Sá

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Beijo teu


Beijo teu

P elo vermelho reluzente
E ntrelaças-te a tua vontade
R osa perfumada atraente
D oida pelo beijo de verdade
I lumina-te com meu sorriso
D á-me teu lábio carnudo
A ssiste ao mundo no paraíso

N obre salivar, beijo sortudo
O nde vais saciado devorador

M esclado desejo teu e meu
E ntra e sai demolidor
U ma prisão onde sou réu

B eija-me sofregamente
E u sou teu eternamente
I nfeliz serei se recusares
J amais beijaria outra que fosse
O beijo teu é belo e o mais doce


José Alberto Sá

Horas que nos separam


Horas que nos separam

Há tempos atrás sonhei
Naquele tempo namorei pela poesia
Tempo que me recebia
Tempo que amei
Quanta vez sorria sem te ver
Ligava-te somente para te ouvir
Não dormia para te sentir
Acordava para te ler
Todas as palavras minhas conhecias
Minha poesia não tinha segredos
Declamava-te todos os dias
Entre nós não existia enredos
Tanto tempo já passou... imenso mar
Não te esqueço
Tempo de ondas de amar
Não mereço
Merecia sim tocar-te
Mas nunca aconteceu
Merecia sim beijar-te
Um sonho meu e teu
Passaram horas e dias
Meses e... Tanto por dizer
Promessas e quantas alegrias
Tempo de saudade, meu sofrer
Tantas vezes te namorei ao almoço
Tantas vezes te namorei ao jantar
Horas e horas de alvoroço
Histórias e realidades de apaixonar
Somente hoje fica a tua cor
Hoje sonho o tempo atrás
Tua voz... Teu sorriso... Teu amor
Tua cor... O mar lilás

José Alberto Sá

O nosso amor


O nosso amor

Quando caminho em tua direção
Peço que os passos se alterem
Tremo de ansiedade
Um bater acelerado, cópia do ritmo de uma canção
Braços que te querem
Um aperto de verdade
O nosso amor
Digo nosso, porque ele é o caminho
Ele é a perfeição, em passos que dou
O nosso amor é fragrância, tua vontade
Minha ânsia,
Sente os meus braços... Tremo
Toca em meu corpo... Pequeno
Sente o meu sussurro, quando gemo
É o nosso amor
Um caminho feito pelos meus passos
Um carinho feito pelo meu coração
Um abraço de imensas flores
Sensações suaves
Nuvens, pétalas e penas de aves
É assim o nosso amor
Sente este beijo... Sorriste
O toque firme dos meus dedos
Sente a união que existe
O deslizar dos sentidos sem medos
Sente o perfume das rosas
A humidade de ambos em alegria
Nada jamais mente... Desabafo em prosas
O nosso amor... Que é poesia

José Alberto Sá

Águas corridas


Águas corridas

Choras por entre raízes água de mil fontes
Água do céu, que ao chão cala
Gritas húmida na cor de prata
Sensações límpidas vinda dos montes
Terra de lodos, que à cede fala
Segredos teus… Peço que me contes
Translúcida…
Cortina de rendas transparentes,
em tudo farta.
Vaidade fria, vaidade pura
Vertes virgem pela escarpa
Água cristalina que a alma cura
Translúcida…
Peço-te… Canta…
Amo ouvir-te cantar
Peço-te… Dança….
Adoro ouvir-te vibrar
Sinto o teu chamamento,
quando queres que te beba
Olho-te e me apetece saborear,
desejando que tua humidade me conceba
Numa luxúria que acabe no mar
Translúcida…
Fonte de quantos namoricos
Água de pobres e ricos
Vejo por entre teu corpo a nudez
Bebo e minha boca se consola
Um saborear de caprichosa timidez
Revolto-me ajoelhado querendo beber-te,
como quem pede uma esmola
Translúcida…
Água feminina de bailado em pontas
De saia rendada, mostrando o interior
Bebo-te na sede que me despontas
Bebo-te na sede de um louco amor
Fonte que me banha
Em águas de perfumado elixir
Dentro de ti, uma vontade tamanha
Num banho de abraço… O meu existir

José Alberto Sá

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Passarinho


Passarinho

P alpitava-me que era macio
A petecia-me tocar
S aborear o calor para além do frio
S aborear o negro no meu voar
A mar-te seria perfeição
R eluzes no brilhar do sol
I nocente menina de penugem fina
N inho perfumado, minha ilusão
H ilariante rouxinol
O nda de amor por mim acima

N ão penses que não sei voar
E u sou um pássaro como tu
G rites ou não
R ogues ou implores, vou-te amar
O meu voar é puro e nu

Voaremos em meu coração.

José Alberto Sá

No escuro iluminado


No escuro iluminado

Recolhi-me no meu quarto
Fechei a porta
Não queria perturbação
Sentei-me, chorei, estava farto
Que importa!
Chorei pela emoção
Cada lágrima caída
Uma saudade desmedida
Fechei a janela
Corri a persiana
Ficou escuro, chorei por ela
A menina que me ama
Deitei-me no chão, olhei o inexistente
Abri os braços e senti
Frio e dureza
Um fresco indecente
Tacteei o chão, nada pressenti
E tive uma certeza…
O amor é sofrido
Incompreendido
No escuro imaginei uma estrela
Queria que me iluminasse
Uma claridade ou o desejo,
de a sentir, tê-la
E que no chão duro ela ama-se
Uma hora passou
Levantei de cara horrenda
Olheiras de dor, por quem me amou
E no acender da luz a emenda
A pura verdade
Estavas ali!
A saudade…

José Alberto Sá