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sexta-feira, 11 de maio de 2012

O nosso amor


O nosso amor

Quando caminho em tua direção
Peço que os passos se alterem
Tremo de ansiedade
Um bater acelerado, cópia do ritmo de uma canção
Braços que te querem
Um aperto de verdade
O nosso amor
Digo nosso, porque ele é o caminho
Ele é a perfeição, em passos que dou
O nosso amor é fragrância, tua vontade
Minha ânsia,
Sente os meus braços... Tremo
Toca em meu corpo... Pequeno
Sente o meu sussurro, quando gemo
É o nosso amor
Um caminho feito pelos meus passos
Um carinho feito pelo meu coração
Um abraço de imensas flores
Sensações suaves
Nuvens, pétalas e penas de aves
É assim o nosso amor
Sente este beijo... Sorriste
O toque firme dos meus dedos
Sente a união que existe
O deslizar dos sentidos sem medos
Sente o perfume das rosas
A humidade de ambos em alegria
Nada jamais mente... Desabafo em prosas
O nosso amor... Que é poesia

José Alberto Sá

Águas corridas


Águas corridas

Choras por entre raízes água de mil fontes
Água do céu, que ao chão cala
Gritas húmida na cor de prata
Sensações límpidas vinda dos montes
Terra de lodos, que à cede fala
Segredos teus… Peço que me contes
Translúcida…
Cortina de rendas transparentes,
em tudo farta.
Vaidade fria, vaidade pura
Vertes virgem pela escarpa
Água cristalina que a alma cura
Translúcida…
Peço-te… Canta…
Amo ouvir-te cantar
Peço-te… Dança….
Adoro ouvir-te vibrar
Sinto o teu chamamento,
quando queres que te beba
Olho-te e me apetece saborear,
desejando que tua humidade me conceba
Numa luxúria que acabe no mar
Translúcida…
Fonte de quantos namoricos
Água de pobres e ricos
Vejo por entre teu corpo a nudez
Bebo e minha boca se consola
Um saborear de caprichosa timidez
Revolto-me ajoelhado querendo beber-te,
como quem pede uma esmola
Translúcida…
Água feminina de bailado em pontas
De saia rendada, mostrando o interior
Bebo-te na sede que me despontas
Bebo-te na sede de um louco amor
Fonte que me banha
Em águas de perfumado elixir
Dentro de ti, uma vontade tamanha
Num banho de abraço… O meu existir

José Alberto Sá

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Passarinho


Passarinho

P alpitava-me que era macio
A petecia-me tocar
S aborear o calor para além do frio
S aborear o negro no meu voar
A mar-te seria perfeição
R eluzes no brilhar do sol
I nocente menina de penugem fina
N inho perfumado, minha ilusão
H ilariante rouxinol
O nda de amor por mim acima

N ão penses que não sei voar
E u sou um pássaro como tu
G rites ou não
R ogues ou implores, vou-te amar
O meu voar é puro e nu

Voaremos em meu coração.

José Alberto Sá

No escuro iluminado


No escuro iluminado

Recolhi-me no meu quarto
Fechei a porta
Não queria perturbação
Sentei-me, chorei, estava farto
Que importa!
Chorei pela emoção
Cada lágrima caída
Uma saudade desmedida
Fechei a janela
Corri a persiana
Ficou escuro, chorei por ela
A menina que me ama
Deitei-me no chão, olhei o inexistente
Abri os braços e senti
Frio e dureza
Um fresco indecente
Tacteei o chão, nada pressenti
E tive uma certeza…
O amor é sofrido
Incompreendido
No escuro imaginei uma estrela
Queria que me iluminasse
Uma claridade ou o desejo,
de a sentir, tê-la
E que no chão duro ela ama-se
Uma hora passou
Levantei de cara horrenda
Olheiras de dor, por quem me amou
E no acender da luz a emenda
A pura verdade
Estavas ali!
A saudade…

José Alberto Sá

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sonhei contigo


Sonhei contigo

Hoje acordei com a sensação,
de que o dia iria ser diferente
A diferença estava no meu acordar
Leve sorriso… Levitação
Hoje acordei com luz, contente
Uma felicidade impar
Ao meu lado ela ainda dormia
Olhei-a devagar
No ondular do lençol, beleza e magia
Amo assim acordar
Ela voava e sonhava, porque sorria
Com certeza um sonho de amor
O seu lábio rosado me dizia,
como era bom ver sonhar uma flor
Hoje acordei sozinho, ela ficou
Daquela cama, ergui-me devagar
Aquele sorriso não podia perturbar
Era o mágico perfume, que me inundou
Parei à porta, olhei novamente
Sorri de agradecimento
Era linda, uma pérola comovente
Hoje acordei levado no vento
Aproximei-me e toquei-lhe, não resisti
Passei a mão sobre o corpo nu
E em voz baixa lhe disse: Estou aqui
E ela me respondeu: Quem és tu?
… Nem eu sei…
Sou… Aquele te ama
Hoje acordei sozinho
Não tinha ninguém na cama
Todo aquele amor… Sonhei

José Alberto Sá

Gelatina com morango


Gelatina com morango

Porque tremes pequenina?
Quanta fragilidade
Porque tremes menina?
Conheço-te em tudo pura
Reluzente em humidade
Vejo-te em tudo amante
Menina que me atura
Menina de doce candura
Minha poesia de corpo elegante
Chamei-te bebé, linda e boneca
Gelatina de pele cremosa
Bela de bom paladar,
do cupido, a minha seta
Menina vaidosa
Transparência do mar
Cabelos de ceda na cor do sol
Olhos atraentes
Rosto de girassol
Gelatina macia, vontades quentes
Oh… Como és bela
Menina que de vestido comprido
Pareces uma donzela
Oh… Como me sinto atrevido
Comer-te delicadamente com morango
Gelatina com chocolate
Comer-te seria,
a perna atrevida num tango
Comer-te e amar-te
Gelatina…
Adivinho a minha vontade!
Comer-te e sentir a vibração
Que na verdade
Igual ao vibrar do meu coração

José Alberto Sá

terça-feira, 8 de maio de 2012

Quero amar...


Quero amar...

Não vou,
não vou guardar mais o segredo
Vou gritar,
sem ter medo.
Da prisão da mente fria
Da prisão sem alegria
Do poder que não me afoga
De um mundo que está na voga
Do dinheiro que não tenho
E do amor em que me empenho
Eu vou gritar até partir.
Eu na rua correrei
Sem medo, não temerei,
esta vida em jejum
Faces sem sorrir,
na gritaria de um povo já farto
Nas conversas que baloiçam e eu não sei
Nos berros de crianças, no grito de cada um
Sou o mendigo que aqui venho
Sou um mendigo que me parto
Num grito de muita fome
Um gritar que me consome
Na gargante que te berra,
Nisto grita,
Nisto pula,
Na mente que está guerra
Mente aflita
Mente fula
Não vou guardar mais o segredo
Não vou pedir a protecção
Vou levar todo o enredo
Num grito de coração
Vou gritar até ficar rouco
Na garganta da minha ira
Vou gritar mesmo que louco
Uma vontade que não me tira
Deixem-me em paz
Deixem-me de louco amar
Deixem-me para trás
Mas,
deixem-me gritar...

José Alberto Sá