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domingo, 6 de maio de 2012

Livro sofrido


Livro sofrido

Sentei-me para ler
Um livro de capa rosa
Título triste
Num livro que queria conhecer
Um romance escrito em prosa
Com palavras, a quem um coração não resiste
Falava de um amor perdido
Um amor levado
Um amor querido
Um amor apaixonado
Sentei-me e li
Cada palavra devorei
Cada frase, eu senti
Cada página, eu amei
E continuei devorando
Um amor incompreendido
Amor sofrido
Amor sem regresso
Então eu reflecti
Em algo que não esqueço
Um amor que me devora
No amor que sinto por ti
Menina que me namora
Cada capítulo era emoção
Dor e constrangimento
Sentia lendo, o bater do meu coração
Pelas palavras de sofrimento
E quando acabei de ler
Levantei-me dorido
Sentido triste em todo o meu ser
E num gesto caído do céu
Olhei o livro e comentei:
Este amor não é o meu
Porque se fosse, não sei…

José Alberto Sá

Abecedário


Abecedário

Amante
Bonita
Carinhosa
Doida por mim
Elegante
Fofinha e catita
Gentil e jeitosa
Honra de cetim
Intriga feminina
Janota
Linda e pequenina
Menina marota
Notada quando nua
Olhada quando atrevida
Pura como a lua
Quente, uma querida
Razão do ser masculino
Sensível
Toque de música em violino
Uma fragrância apetecível
Vem ter comigo
Xícara do meu café
Zangada és meu castigo

O Abecedário do Zé

José Alberto Sá

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Elementos do medo


Elementos do medo

O rio tem sempre uma travessia
A montanha tem sempre um cume
O mar tem sempre a maresia
O fogo tem sempre o lume

Mas…

Quando a água nos leva pela corrente
De mansinho
A terra nos leva à outra semente
Pelo nascer do caminho

E quando…

O mar salgado nos é doce
Nas ondas do luar
E o fogo também era bom que fosse,
um louco amar

Mas…

Tenho medo de atravessar
Tenho medo do caminho
Tenho medo do mar salgado
Medo do fogo… De me queimar

O rio é a perfeição… Carinho
A montanha o grito alado
O mar a canção da sereia
O fogo é o sol aquecendo a areia

Mas…

Tenho medo de não saber nadar
Medo da minha tentação
Medo de nas tuas ondas me afogar
Medo do calor em fogo do coração

O rio que atravesso me respeita
A montanha que subo me venera
O mar que abraço comigo se deita
O fogo que sinto é tua espera

Mas…

Tenho medo que não consiga
O rio e a montanha são irmãos
Tenho medo que o mar e o fogo
Me persiga
Então sigo por minhas mãos

José Alberto Sá

Minha prisão


Minha prisão


Preso
Entre as grades dos teus braços
Amarrado pelos beijos
Acorrentado pelo amor...Teus laços
Preso
Por ter pedido mil desejos
Atado nas masmorras de um corpo nu
Perdido no ventre da vontade
Atordoado pela voz... Que és tu
Preso pela verdade
Sem liberdade
Rouco pela tua saliva
Cego pelo teu querer
Preso nas entranhas... O que me cativa
Mãos que me apertam o crescer
Preso nos gemidos
Açoitado pelo teu olhar
Devorado pela febre dos sentidos
Preso por de ti gostar
Preso
Em tudo que não esqueço
Preso eu quero estar
Estar preso mereço
Para te amar

José Alberto Sá

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Roubei


Roubei

Desculpa menina
Beijei-te de surpresa
Foi tudo mais forte que eu
Pequenina
Foi tudo na subtileza
De um desejo meu
Desculpa garota
Sem que soubesses
Beijei-te na boca
Gostei que humedecesses
Olha para mim… Beija-me
Olha para mim… Deseja-me
Desculpa o atrevimento
Desculpa a ousadia
Não pedi consentimento
Mas…
Foi bom, foi magia
Olha-me… Desculpa, não repito
Olha-me… Desculpa te ter tomado
Foi o amor em que acredito
Meu desejo de um beijo...
Roubado
Olha-me e…
Perfeito, pelo teu sorrir
Acho que devo repetir
Olha-me e…
Hummmmm....
Foi bom o beijo roubado
Foi igual ao teu beijo dado


José Alberto Sá

terça-feira, 1 de maio de 2012

Destronado


Destronado

Cortei...
Cortei pela raiz
O mal...
O tal...
Que me diz
Que não amei
Cortei-o
Cortei-o pelo meio
... O receio...
Um receado
Mas cortado
Medo...
Pela metade não fico
A realidade do amor
É por inteiro
O meu cortar...
... O meu fervor...
Foi pela base
De um amor quase
Quase perfeito e lisonjeiro
Então...
Cortei...
Cortei algo que crescia
Algo que a alguém apetecia
Arreliar-me
Devorar-me
Partir meu coração...
... Cortar minha paixão...
Um corte
Talvez sorte
Por isso cortei
Mas não sei se devo
A sorte num trevo
Porque cortei
Cortei-o na vontade
E para não ter metade...
... Amarei...
Amarei sempre
Serei semente do que amei
Então...
Cortei...
Para ficar contigo
Do outro lado do meu castigo
Do lado do meu gostar
... Cortei...
Cortei para te procurar
O outro...
Irá naufragar
No meio...
... No meio do mar
O outro...
Que me quis destronar
Não sabia amar
Cortei-o
Para eu ficar

José Alberto Sá

Dança da chuva


Dança da chuva


Amo o timbre da chuva a cair
Na sua viagem vinda do telhado
Amo ouvir a sua canção
Pingos de perfumado sorrir
Embalando um louco fado
Me fazem lembrar
As gotas de sangue em meu coração
O meu respirar
Amo sentir cada pingo
Como lágrimas caindo de um choro meu
Amo sorrir às gotas que me vêm sorrindo
Um amor de quem ama aos olhos do céu
A chuva me faz sonhar
Sinto a gota como um bago de uva
Sinto no ar húmido um respirar
A dança da chuva
Desprende-se do telhado sem temor
Voa pelo tempo, linda e querida
Cai abraçando as irmãs em amor
E se dilui com elas para toda a vida
Amo a chuva do meu telhado
Amo o seu brilho aos meus olhos
Amo o bater da chuva no chão molhado
Amo a chuva caindo em folhos
Eu me sinto abençoado
Por poder tocar a chuva que me acredita
Ela é o perfumar do meu telhado
A benção do céu que me visita



José Alberto Sá