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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cravo


Cravo

Olhei os dedos dos teus pés
Apaixonei-me
Delicados, finos e delirantes
Levei-os ao meu convés
Apreciei-os e lembrei-me
Que o corpo continuava
Tons que via... Brilhantes
Deslizei o olhar
Parei no joelho
Ambos apaixonantes
Quis sonhar, quis tocar
Mas... Chamado à atenção
Por algo vermelho
Que acelerou meu coração
Subi...
Meu olhar continuou
E parou...
Sorri...
Estavas sentada!
Chinelos nos dedos, unha pintada
Perna ternurenta
Ornamentado joelho
Saia cinzenta
E na mão um cravo vermelho
Fez-me lembrar
Que a liberdade é amar
No cravo peguei
E amei...

José Alberto Sá

25 de Abril/Cravo


25 Abril/Cravo

Recordar Abril
Bravo...
Hoje sem perfil
Tudo nos tiram sem pedir
Bravo...
Hoje sem calor
Não existem pessoas a sorrir
Bravo...
Hoje sem humildade
Tudo nos tiram... Verdade
Bravo...
Hoje sem escrúpulos
Sentimos-nos minúsculos
Bravo...
Bravo, para aqueles que aguentam
Portugueses como eu
Bravo, para aqueles que alimentam
As vontades vindas do céu
Bravo... Imbecis
Hoje me revolto pela ausência
Da liberdade que um dia alguém quis
Bravo... À paciência
Bravo... À resistência
Ao pedido do povo
Que grita de novo...
Cravo

José Alberto Sá

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sempre contigo


Sempre contigo

Consigo acordar… E ver-te
Ver-te na vontade de olhar-te
Olhos nos olhos… Beber-te
Saciar-me da saudade e amar-te
Consigo…
Banhar-me sentindo tua humidade
Gotas que sinto no corpo nu
Despido na simplicidade
Num simples gesto, num corpo que és tu
Consigo…
Vestir-me desejando despir-te
Sentir-te nua, sentir teus lábios… Num beijo
Dado sofregamente a pedir-te
Que te vistas com o meu corpo… Desejo
Consigo andar de pé contigo
Sempre de mão dada… Imaginação
Sonho com tuas ondas, serão meu castigo
Um aperto que sinto em meu coração
Consigo…
Passear sobre as areias da praia
Sentir os pés se esconder
Um amor secreto debaixo da saia
Menina que um dia vim a conhecer
Não consigo regressar sem ti
Uma presença que sonho um dia
Uma menina que um dia vi
E ficou gravada na minha alegria
Tu…
Menina que sonho ao dormir
Menina que levo no meu pensar
Menina que vejo sorrir
Menina do meu louco amar

José Alberto Sá

deuses


deuses

Falei com os deuses
Perguntei porque sinto o tempo
Tempo em que me preocupo com os amigos
Amizades ganhas no vento
Ventos que me trazem a importância
Mestria na riqueza, pena dos sem abrigos
Eu falei…
Que sinto a importância do abraço
Um toque, uma palmada nas costas
Um sorriso sincero, um ocupar de meu espaço
Uma palavra de alento, mil respostas
Eu falei…
De perguntas nunca ditas
Falei que sinto a palavra ao ouvido
O escutar em amor que só tu acreditas
Jamais me queixarei, jamais duvido
Que os deuses me acompanham
Olho-os quando vejo as pombas debicando
Migalhas que lhes dou
Imagino-os quando uma esmola gritando
É a esmola que lhes dei, de um amor que eu sou
Eu falei…
Com os deuses, deixei-lhes uma carta
Numa folha branca deixei escrito
Palavras de amor
Palavras minhas ao ser bem dito
Mil palavras em meu papel, uma mão farta
Palavras de saúde, esquecimento da dor
É esse tempo que sinto
Paz, alegria, felicidade
É nesse vento que vem
Que eu lhes falei…
No carinho, harmonia, verdade,
deuses meus, iguais aos vossos, quem os não tem

José Alberto Sá

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Curva feminina


Curva feminina

Uma linha
Medida do horizonte
A iniciação do que faço

Linha
Imitação de um traço
Numero infinito
Hilariante rabiscar a direito
A alma erótica que acredito

Um rabisco deitado se o deito
Movimento ondular
Ambição de um curvar

Círculos onde me empenho
Uma curva a provocar… Desenho
Riscos e curvas, um pensamento qualquer
Viagem de um lápis ritmado
A linha que se abre pró lado

Em linhas e curvas de uma mulher


José Alberto Sá

Revista APCOR

José Alberto Sá, na revista mais prestigiosa no mundo da cortiça.
A APCOR não quis deixar em claro a divulgação do livro "Quercus Suber, segredos do corpo e da essência", um conto único no mundo sobre a cortiça, um romance com ensinamento/vida.

domingo, 22 de abril de 2012

O meu ponteiro


O meu ponteiro

Olhei o meu relógio fixamente
Dois ponteiros pareciam parados
O maior pulsava calmamente
Passando por cima de tempos passados
O seu movimento era quase insignificante
Mas eu sabia...
Que cada pulsar era o contar
Do segundo, da hora e do dia
Cada instante me envelhecia
Então aquele ponteiro,
era mais forte do que eu
Movia um mundo inteiro
A minha calvície, o meu cansaço
Movia a terra e o céu
Reparei que na sua lentidão,
o tempo passava depressa
A sua insignificância,
era agora para mim a importância
Num tempo de promessa
Um tempo que via passar
Naquele minuto que o olhei,
reparei...
Que não vivi...
Esqueci que o tempo passava
Refleti...
Olhei em frente, caminhei
Olhei-me e pensei
Que o tempo que passa,
o meu ponteiro contou
Que o tempo de agora,
é o contar do futuro, o homem que sou
E que serei...
E tudo é... Um ponteiro que em mim mora

José Alberto Sá