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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tudo ou nada


Tudo ou nada


Sorrio… Sou o dono do mar

Cantei… Era também o dono da terra

Saltei… Pensando ter todas as flores

Brinquei… Porque sou o dono do ar

Falei… Pensando ser o dono da serra

Amei… Querendo olhar todos os amores

Passeei… Porque sou dono dos caminhos

Caminhei… Pensando tudo conhecer

Gesticulei… Abraçando todos os carinhos

Era um sorriso de quem tudo tinha

Uma canção de quem tudo queria ter

Um salto de felicidade no meu jardim

Uma brincadeira de um louco amar

Um falar, um apetite… Tudo para mim

Um amor que pedia… Que me leve a voar

Então quis passear sozinho no mundo

Caminhar sozinho na minha vontade

Gesticular no alto e no fundo

Mas na verdade…

Sorri, cantei e saltei

Brinquei, falei e amei

Passeei, caminhei e gesticulei

E só agora sei, sem desdenho

Que tenho tudo e nada tenho


José Alberto Sá

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Terra


Terra


Eu vivo…

E quis saciar-me da terra

Das minhas mãos fazer um crivo

Descer aos confins da mente

Subir ao cimo da serra

Penetrar os dedos na terra como semente

Agarrar de mãos suadas

Sentir-me sujo, mas livre

Apertá-la… Deixando alguma escapar

Por entre dedos

Sentir emoções jamais imaginadas

Sensação de poder que nunca tive

Sem medos…

Na terra, no céu e no mar

Eu vivo…

E quis apaixonar-me pelo mundo

Meus dedos enterraram bem fundo

Nas entranhas da minha vida

Desci minhas mãos sem medida

E devorei o máximo de terra castanha

Terra de odor e essência

Terra sem manha, quanta paciência

No atorar de gente estranha

Eu vivo…

Sinto-me altivo

Na terra que agarro, poeira

Na vida que quero, canseira

Por isso a tenho nas mãos

Aperto-a como se fossemos irmãos

Terra que me viu nascer

Terra que me verá morrer

Minha terra, minha vida, meu ser

Eu vivo…


José Alberto Sá

Segura... É tua


Segura… É tua


Segura… Ouvi alguém dizer

É tua… alguém confirmava

Olhei… Queria saber

Quem era o alguém que me dava

Vi uma mão estendida

Um manto branco

Um sorriso sem medida

Um olhar de amor em tudo franco

Segura… Disse novamente

Na sua mão aberta nada se via

Olhei seu sorriso

E naquele momento preciso

Uma luz iluminou como magia

A palma da sua mão

Imaginei um coração

Mas somente uma luz existia

Naquela mão pura e macia

Que me chamou…

Estendi a minha mão para a sua

Estremeci…

Tinha-lhe tocado

E ao tocar-lhe a luz recebi

Na minha carne e mente nua

Num inclinar de cabeça, senti-me perdoado

Pela mão de alguém que não vi

Com certeza…

Alguém vindo do céu

Trazendo a luz divina

Pureza…

Oferecendo-ma dizendo… Segura

Uma luz tão pequenina

Que numa mão apareceu

E eu… Pergunto…

Mente pura, porquê eu?


José Alberto Sá

Quero voar


Quero Voar


Os olhos teus me querem falar

A tua boca me quer beber

Teus braços querem ser asas

Tuas mãos querem tocar

Teus dedos me querem ter

Ardo em teu corpo… Brasas

Quero voar em teus sentidos

Olhos com mil poemas

Boca com mil aromas

Braços com mil esquemas

Mãos com mil vontades

Tenho medo que me comas

Pela Íris de mil ansiedades

Quero voar em teus pedidos

Olhos teus sequiosos por mim

Boca seca à minha espera

Braços num abraço sem fim

Mãos suaves que tocam… Em esfera

Rodopiar sinuoso que sinto

Provocado pelo teu simples olhar

Revoltado na vontade do teu queixume

Exaltado pelo teu simples abocanhar

Uma boca aberta que humedece o fogo

Umas mãos que alimentam o lume

Uns olhos que ardem no jogo

Quero voar em teus gemidos

Olhos de um corpo perfumado

Boca de um corpo… Minha humidade

Braços de um corpo apaixonado

Mãos de um corpo… A minha vontade

Corpo nu sem maldade

Corpo da minha saudade

...

Quero voar...


José Alberto Sá

terça-feira, 17 de abril de 2012

Há mesa


Há mesa


Teu olhar sorriu quando me viu

Tuas mãos frias aqueceram

Teus lábios carnudos me absorveram

Em beijos desejados

Tuas mãos me agarraram… Tudo sorriu

Estávamos hipnotizados

Na mesa aconchegados

Na partilha de um café aromático

A língua ansiosa queria dançar

Teu olhar estava estático

Ambos queríamos amar

Senti teu coração junto do seio

Minha mão desejosa parou a meio

Não podia magoar

Pelo simples facto do desejo

De mais a baixo tocar

Ficamos ali… Pelo simples beijo

Namoramos… Foi bom

Roçamos narizes

Carícias e mimos

Eu sei amar na simplicidade… Tenho esse dom

Sei porque tu o dizes

Sei porque naquele abraço que pedimos

Não o quisemos dar

Guardamos para outra ocasião

Num momento só nosso

Onde me deleitarei… Num gesto que posso

E me entregarei de coração

Ali somente nos amamos e foi belo

Somente soubemos acreditar

Que o amor é arte no derreter de caramelo

Rebuçado adocicado

Que ambos queremos devorar


José Alberto Sá

Molhado lá fora/cá dentro


Molhado lá fora/cá dentro


Oiço a chuva lá fora

Dentro de mim chove também

Humidades a toda a hora

Em lágrimas que teimam em cair

Lágrimas minhas… Mais de cem

Lá fora tudo é cinzento

Parou de sorrir cá dentro

Sinto o coração a partir

Chove… Chove… Chove…

A minha prova dos nove

Lágrimas e chuva

Lá fora… chuva torrencial

Cá dentro é o esmagar de uva

A revolta de não ter sol

A chuva lá fora manda

Cá dentro não consigo mandar

Batem em gotas à varanda

Como batem as lágrimas do meu amar

Sinto que até a chuva me quer falar

Sinto nas lágrimas de louco

Uma chuva que me faz naufragar

Então…

Peço que chova só mais um pouco

Amo a chuva… Na sua canção

Este hino é meu… Sei onde mora

Água… A minha fonte de inspiração

A chuva que lava e cai lá fora

Dentro do meu coração

Como é fácil ouvir-te chuva de alecrim

Como é fácil amar-te lá fora, se te amo cá dentro

Já és a salvação do meu jardim

Não importa se molhado me sento

Se te sonho cá dentro de mim


José Alberto Sá

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Desabafo


Desabafo


Inofensivo

Eu sou

Decisivo

Para onde vou

Pequeno de estatura

Grande de coração

Mente pura

Sou pura doação

Os grandes têm medo

Alguns!

Talvez eu seja enredo

Para seres comuns

Gosto de ganhar

Amo ser eu

Gosto de amar

Pensar que sou o céu

Para tarados sou imenso

Para perversos

Sou o que penso

Somente sou versos

A inveja

Passou-me ao lado

Não ligo nem um bocado

E passo para que se veja

Aqui de cabeça erguida

Escrevo

Nada devo…

Nem à chegada nem à saída

Sou eu por inteiro

Sou eu um pioneiro

De vontades que de mim falam

Somente me estão a incentivar

Me embalam

Neste meu poetizar

Menina

Tão pequenina

É tua a minha escrita

Nosso segredo… Poder

Acredita

És o meu ser


José Alberto Sá