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terça-feira, 27 de março de 2012

Salpico de amor


Salpico de amor


A água ao vento salpicava

Eram gotas dos teus olhos

Lágrimas de um chafariz

Perdidas no ar, caída em folhos

Num corpo que te esperava

Sedento, carente, mas feliz

Gota do teu olhar

Sentado, sentia a água cor de prata

Gotas de uma menina

Como se fosse uma carta

Escrita no cavalgar de uma crina

Gotas de cor lilás

Lágrimas de aroma alecrim

Cheiro que me satisfaz

No cavalgar da água sobre mim

Gota do teu amar

Estendo a mão para te apanhar

Belo… Uma lágrima me tocou

Água do chafariz, o teu luar

Uma gota sentida que me amou

Salpicos de frescura

Água de cristal, cor do teu rosto

Menina pura

Água do chafariz, de quem gosto

Gota do teu respirar

Desnudo-me para que me banhes

Quero sentir-me húmido e amado

Não te acanhes

Água de amor salpicado

Quero-te sentir

Quero ver-te sorrir

Gota do meu chafariz

Vem regar-me, eu sou flor

Vem rega-me a raiz

Dar-te-ei o meu amor


José Alberto Sá

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sinto cá dentro


Sinto cá dentro


A poesia invade-me a alma

Calma…

Calma José

A poesia faz saltitar teu coração

Faz correr o sangue nas tuas veias

A tua fé…

Calma José…

Recita para além das meias

Colhe as sementes da erosão

Pedaços de um vulcão

Calma José…

A poesia é o que é

É profundeza… A entranha

É pureza…É a manha

É a calma da tua mente

Sente… Sente José

A poesia que fala

A poesia que entoa

A poesia que entala

A poesia do José…

Que voa… Voa

Voa nas ondas da maré

Num mar de encanto

Mar de poesia

Calma José… Aprecia

Acaricia… o manto

Onde te acalmas

E pelas almas… Sente

Sente José…


José Alberto Sá

Aromas


Aromas


A lma… Muita alma

R imas, canções e perfume

O ndas bravas, areia calma

M ar de louco queixume

A ves e ventos gritaram

S ons que ecoaram


E m mim


P oesia em grupo

O aromatizar do momento

E legantes aromas de fruto

S ensações ao vento

I man do meu gostar

A alma de recitar


Amar… Amar… Amar


José Alberto Sá


Uma noite


Uma noite


Menina do sol

Senti os ventos correrem sobre a minha pele

O ar voltou… aromas de girassol

Um segundo apenas

Uma onda nos inundou

Naquela noite… vi voarem as renas

Poisarem as borboletas

O mundo parou…

A espuma branca deslizou

Como tinta de mil canetas

Menina do sol… O vento parou

Olá mar! Que bom te conhecer

Mar de longe… Minha vertigem

Olá meu amar! Meu querer

Menina do sol… Para mim virgem

Desejo-te… Meu corpo é teu

Amo-te deveras

Vê quem sou

Eu vi quem eras

A menina do sol

Não sei se os sonhos têm asas

Mas… Eu voo em teu perfume

Dei a volta ao mundo… Coração em brasas

Meu poetizar… Meu lume

Teu queixume

Olá… Menina do sol

A lua naquela noite foi minha

Naquela noite cantou o rouxinol

E o mar te contou… Uma adivinha

Qual é a coisa, qual é ela

Uma menina à janela

O sol da minha sina

Olá Menina do sol

Tu já és minha…


José Alberto Sá

domingo, 25 de março de 2012

Amor só meu


Amor só meu


Silêncio...

Deixai-me ouvir este gemido

...

Silêncio...

Fechem os olhos... Que castigo!

Tremo ao ouvir sons abafados

Ferrares de língua... Delírios

Silêncio...

Quero ouvir sons apaixonados

Rosas, Giestas... Lírios

Quanto aroma nos gemidos

Silêncio...

Já consigo tocar, além de ouvir

Já consigo cheirar

Já consigo sorrir

Silêncio...

Já flutuo e somente sinto um respiro

É perto... Perto de mim

Silêncio... É um suspiro

Dentro de mim

Senti... A magia contida no sonho

Silêncio...

É a magia onde me ponho

Fechem os olhos... Só eu posso ver

Silêncio...

Só eu posso tremer

Só eu posso querer

Deixai ouvir os gemidos em flor

Silêncio...

Sou eu, fazendo amor


José Alberto Sá

Penetrações


Penetrações


Queria apertar o botão

Não conseguia... Tremia

Não conseguia... Que sensação!

Quase me atrevia...

A voar num voo sem asa

Botão que segurava... Na mão

A mão que tremia... Nervosa

Ansiedade... Medo

Somente uma chave teimosa

Que não entrava... Credo

Porque tremia o meu botão?

...

Parecia picado pelo espinho de uma rosa

Somente queria de todo o enfiar

Somente sentir-me apertado

...

Sentir-me aconchegado

Sentir o meu brio

E apertar o botão... Somente

Queria a união...

A perfeição...

Camisa apertada...

Mais nada...

Queria somente parar de tremer

Ver o botão apertado no meu colarinho

Somente queria o que não conseguia

Vê-lo apertado, somente um pouquinho

Seria feliz... Eu e o meu botão

Seria feliz... Num louco apertar

Seria feliz... Eu e meu coração

Somente... Vê-lo na casa penetrar


José Alberto Sá

sábado, 24 de março de 2012

Amor em tempestade


Amor em tempestade


No silêncio da noite

Ouvia-se a trovoada

Rebuliços de um beijo

Um açoite

Uma palmada

No silêncio... Gritos

Suspiros... Algazarra

Sons agudos... Uma guitarra

Gemidos em nada aflitos

...

Trovoada de emoções

Tempestade de prazer

Terramotos em dois corações

Vendavais... Loucuras de um ser

No silêncio... Tudo quebrou

Uma revolta em potência

Toda a força se esgotou

Na tempestade da existência

...

Louco corpo moribundo

Sobreviventes da loucura

Nus... Amor profundo

Num tempo revoltoso

Mas apetitoso que o mundo procura

Tempestades de amor

Terramotos e vendavais

Tsunamis de calor

No silêncio dos normais


José Alberto Sá