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terça-feira, 6 de março de 2012

Talvez...


Talvez…


Perdido nas vontades de algo achado

Achado nas verdades de algo perdido

Talvez…

Perdido em vontades de algo amado

Achado em palavras de um poema lido

Vontades desde a última vez

Talvez…

Vagueio em silêncio querendo dizer

Deambulo em perfumadas lagoas

Perdido em flores, num malmequer

Se bem-me-quer, nas ondas

Convés e proas…

Talvez… Me encontre

Talvez algo desponte

E me consiga agarrar

Perdido em perfumados carinhos

Aconchegados ninhos

Talvez… Um louco amar

Talvez me sinta achado por ti

Perdido em teu colo

Meu solo…

Que um dia vi

Vagueio pelos matos horticantes

Perdido pensando em me encontrar

Perdido em palavras… Apaixonantes

Perdido nas ondas de teu mar

Talvez… Te consiga tactear

Talvez te consiga sussurrar

Perder-me em teu linho… O meu tear

Achar-me em teu ventre e voar

Talvez…


José Alberto Sá

segunda-feira, 5 de março de 2012

Yoga


Yoga


Meu corpo liberta-se

Sente o peso sair… uma nuvem formar

Deixo de pensar sem motivo

O coração aperta-se

Olhando a nuvem a dissipar

Nos filtros do céu… como num crivo

Meu corpo ausenta-se… Nu

Meu pensar concentra-se no vazio

Dispo-me do pecado…

Tu…

Fecho os olhos, sou na vela o pavio

De um lume apagado

Meu corpo hipnotizado

Vagueia pelas planícies do sono

Sonha e voa apaixonado

Pelo corpo sem dono

Tu…

Sozinho tento não ser o ponto

O horizonte… Uma linha

Meu corpo translúcido parece um conto

Uma história… Uma adivinha

Flutua nas marés de um mar qualquer

Meu corpo intacto… Impune

Voa nas ondas de uma mulher

Numa vontade que une

Meu corpo transformado

Em essência e calor

Meu corpo relaxado

Em fragrâncias de amor


José Alberto Sá

domingo, 4 de março de 2012

Castigo-me


Castigo-me


Sentado no canto

Senti o frio do chão

Estava descalço com pés de santo

Um aperto no coração

Doía o encostar de cabeça

Numa dor sentida

Num frio da vida

Medo de que eu enlouqueça

Em vontade pesticida

Ali parecia... O meu umbigo

Fechado, secreto, esquecido...

No canto da memória esquecida

Réstias do meu corpo em castigo

Sozinho no dobrar da esquina

De uma parede sem tinta

Chão áspero de rugosa saliência

Ausência de adrenalina

A tudo... Abstinência

Sentado no chão gelado

Quis sofrer por um bocado

...

Quando levantei...

Senti-me outro ser

Perdoado pelo Senhor... Meu Rei

Que me ajudou a esquecer

As loucas vontades da mente

As loucas palavras que dizia

Os loucos pensamentos... Ciente

Os loucos gestos sem alegria

...

Sentado pedi até à exaustão

Que erguido soubesse caminhar

Caminhando de coração

Perdoado para amar

Sentado no chão... Perdoado

Levantado e amado

Para andar...


José Alberto Sá

sábado, 3 de março de 2012

Tenho vontade


Tenho vontade


Tenho vontade de trepar paredes

Tentar fugir de algo que não sei

Tenho vontade de subir bem alto

E num salto

Furar o imaginário de coisas que amei

Furar redes

De uma pesca que não conheço

Levar as mãos acorrentadas

E arrastar-me pelo que vos peço

Para lá do muro das noites acordadas

Tenho vontade de escrever sem parar

Dizer tudo que sinto no peito

Furar sem respeito

O fundo do meu mar

Agarrar-me ao deserto sufocante

Apertar as areias movediças

Ultrapassar a palavra provocante

E gritar num ranger de dobradiças

Tenho vontade de pedir que me fales

Furar o silêncio deste momento

Pedir que não te cales

E subas comigo a parede do tempo

Tenho vontade de te ter

No cimo da íngreme parede

Furar multidões para te ver

E matar a fome e minha sede

Tenho vontade…

Mas na verdade…

É somente a saudade…

Que me invade…


José Alberto Sá

sexta-feira, 2 de março de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Segredos meus


Segredos meus


O mar no seu zumbido me falou

Segredos que só a areia sabia

O mar no seu bater me refrescou

Com salpicos de sabedoria

Sábio dos segredos da lua

Mago das magias do sol

Vaidoso pelos banhos… À menina nua

Em segredos de muito açúcar… Pouco sal

O mar em suas ondas me transmitia

Segredos que só a areia sabia

Coisas que só a ele contei

Palavras que eu lhe disse, das meninas que amei

Segredos por desvendar

Enrolados nos mistérios do vento

Segredos do fundo do mar

Segredos gritados ao tempo

Segredos meus… A ele ditos

Segredos e desabafos sentados na areia

Saudades e amores infinitos

Ditos… Ao mar… A minha sereia

Segredos guardados na arca da lembrança

Segredos fechados por minha mão

Segredos que direi na esperança

Nas vontades do meu coração.

Ao mar eu confiei meus segredos

Na areia enterrei a minha devoção

À lua ofereci segredos sem medos

Ao sol a minha paixão


José Alberto Sá

Quercus Suber.

Notícia saída no dia 01/03/12 sobre o livro Quercus Suber.
Autor José Alberto Sá
Editora Papiro