Número total de visualizações de página

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mãos em desabafos


Mãos em desabafos


Raspei as mãos no chão

Queria sentir dor

Raspei no pó do alcatrão

Pó de pedra, louco ardor

Raspei e me libertei em sangue

Rio correndo pelas veias

Fruto sem casca... Lande

Seiva de desespero em minhas tareias

Raspei as mãos em pedra dura

Ferida em gritos de agonia

Raspei as mãos nas dores sem cura

Feridas de noite e de dia

Minhas mãos... Cintilantes

Mãos de medo... Trémulas

Raspadas pela revolta, em pedras brilhantes

Mãos ingénuas...

Mas triunfantes

Raspei as mãos no chão onde moro

Raspei as mãos onde imploro

Onde peço...

Onde raspo se mereço

As mãos do meu sofrimento

Mãos que escrevem

Mãos que são meu alimento

Mãos que não temem

Raspadas pelo tempo

Nas pedras do chão da vida

Mãos que ao relento

Escrevem desabafos sem medida

Minhas mãos...

Raspadas em escrita

Prosas e poesia... Irmãos

Das mãos...

De quem grita


José Alberto Sá

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Tatuado por ti


Tatuado por ti


Tuas mãos me tocaram

O arrepio fez erguer meu pensamento

Fechei os olhos, quis te sentir

Senti tuas unhas que arranharam

Senti teu respirar... O vento

Algo que me estavas a pedir

Meu corpo... Tatuado

Meu corpo para tua vontade

Meu corpo tresloucado

Meu corpo em tua vaidade

Senti novamente o arrepio

Com as unhas traças-te uma linha

O amor subiu por um fio

E adivinha...

Olhei para ti e demos um beijo

Olhei para ti e rolamos

Olhei para ti e... Tanto desejo

Olhei para ti e amamos

O arrepio saiu do teu apertar

O arrepio fugiu do meu amar

O arrepio foi o toque do amor

O arrepio foi suave... Uma flor

Senti-me suado

O amor e o desejo estavam a meu lado

De mãos deslizantes pelas costas

Senti-me tatuado

Pelo corpo que me mostras

Em mim cravado


José Alberto Sá

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Choro...


Choro...


Quando eu choro...

Sei sempre o porquê

É dor... É o frio

Que não se vê

Quando eu choro...

É o corpo em arrepio

Em letras que ninguém lê

É onde moro...

Quando eu choro...

Meu corpo vazio

Corpo frio sem cor

Quando eu choro ...

Pode ser de amor...

Uma ponte sem rio

Onde imploro...

Quando eu choro...

As lágrimas escorridas

São sofridas...

Quando eu choro...

Sofridas são as de dor

Quando eu choro...

Por amor

E aí eu demoro...

A secar...

Quando eu choro...

A amar...

Onde moro...

Nas lágrimas do meu coração

Lágrimas do céu

Choradas no chão

Do meu olhar...

Se estou a chorar


José Alerto Sá

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Os mesmos


Os mesmos


Olhar enevoado

Olhos caídos

Amargurado

Cães em latidos

Fome…

Uma dor que me consome

Sós…

Cães abandonados

Animais castigados

Nós…

Sim… Nós os pobres

Os mais em tudo sem nada

O mais em nada para tudo

Sempre os mesmos

Tratados em manada

Pão seco… Nem torresmos

Fartura pelo canudo

Sós…

Sim…

Nós…

Eu também sou um numerário

Um não compreendido

Um ser ao contrário

Humano… Esquecido

Sós…

Sim….

Eu também… Nós

Um numero apenas

Contabilizado para despejo

Sempre as mesmas

Nós…

Sim…

Sós… Eu vejo!

Que já não existe o além…

Eu também…


José Alberto Sá

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Nas dunas


Nas dunas


Colossal sentir de areia

Quando me deito

Deslizamentos no tirar da meia

Perna torneada e aperto no peito

Diamante cravejado pelo sol

Pedra preciosa do meu mar

Colossal…

Apetitosa no abrir do girassol

Roliços movimentos de amar

Navego nas ondas da imaginação

Nas areias de um mar sequioso

Perna sem meia, provocante liga

Na delícia de uma canção

Meu mar teimoso

Mar provocante… Eu que o diga

Branco… Sim branco como a neve

A cor do triângulo, momento astuto

Perna entreaberta, que espreito ao de leve

E me faz desejar o escondido fruto

São as areias movediças

Escorregadias seivas do pecado

São mares e marés que me atiças

O apetite voraz do meu outro lado

Juntos rebolamos sobre as dunas

Mergulhamos nas vontades do amar

As ondas nos abraçaram em plumas

Levitamos no céu, na terra e no mar


José Alberto Sá

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Respira somente...


Respira somente…


É o silêncio que me separa

O muro do tempo, do vento vazio

Uma flor que murcha pela ânsia

Uma vontade que não pára

Uma ave que não voava, sem pio

Uma corrida sem distância

...

Falta-me o fôlego, por não te ouvir

O muro que me veste é impossível

Não tenho nada, sou um eco

Pedaço de mim, sem sorrir

O mundo quadrado, incorrigível

Por falta da tua voz, ecoada no teto

É o silêncio que me aperta

O muro do passado, do sol do mar

Uma flor que cortada, me pedia

Uma vontade com reticências e etc.

Uma ave que poisada pedia para voar

Uma corrida de loucos, onde morria

...

Falta-me o respirar da tua boca

O muro que me aperta o pensar

Não tenho nada, menina marota

Pedaço de mim, do teu luar

O mundo oval, sem esquinas

Poesia sem rimas

É o silêncio do teu calar

É o silêncio a minha tortura

É o silêncio do teu sorriso

É o silêncio do teu pensar

É o silêncio do tempo que dura

É o barulho... Que preciso.

Teu mar...


José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tempos atrás


Tempos atrás


Tu és...

O vazio que ficou

Tu és...

O sol que escureceu

Eu sou...

O vazio que o sol levou

Eu sou...

O sol que contigo se escondeu

...

Tu és...

Um tempo que não passa

Tu és...

O vento que não voa

Eu sou...

O tempo de espera... A minha raça

Eu sou...

O vento sem graça... Sou o barco sem proa

...

Tu és...

A ausente estrela de luz

Tu és...

A menina que já não escuto

Eu sou...

A ausência, a minha cruz

Eu sou...

O homem que te espera... Bendito Fruto

...

Tu és...

A voz que me falava

Tu és...

Os lábios que me sorriam

Eu sou...

A voz que rouca te amava

Eu sou...

Os lábios que te queriam

...

Tu és... Eu sou...

Apenas... Amor

Tu és... Eu sou...

Apenas... O vento que vejo

Eu sou... Tu és...

Apenas o sol, meu calor

Eu sou... Tu és...

Apenas um beijo

Que não dei, mas que desejo


José Alberto Sá