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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Beijos


Beijos


B ebo-te suco carnudo

E ntre vontades da minha boca

I rradio de ti algo que não mudo

J arros de seiva… Semente louca

O lha-me em vontades

S acia a tua crença


M istura de sabores

O ndas de mil verdades

L ínguas revoltadas, nossa presença

H omem sou de loucos amores

A paixonado por beijos sequiosos

D ominados e apetitosos

O utro festim do amar

S ensações do molhado beijar


José Alberto Sá

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Para lá...


Para lá...


Para lá, depois do vento

Para lá, depois dos ciprestes

Para lá, depois do tempo

Para lá, da roupa que despes


Imaginei-te...


Para lá, depois do mar

Para lá, depois do rio

Para lá, depois do voar

Para lá, depois do frio


Sonhei-te...


Para lá, depois da canção

Para lá, depois da dança

Para lá, depois da ilusão

Para lá, depois da aliança


Amei-te...


Para lá, depois do amor

Para lá, depois do carinho

Para lá, depois do calor

Para lá, depois do caminho


Implorei-te...


Para lá, depois... Para cá

Para lá, depois adiante

Para lá, depois amanhã

Para lá, depois ser amante


Cacei-te...


Para lá, depois acabou

Para lá, depois nos unimos

Para lá, depois acordou

Para lá, depois de dormirmos


Aceite...


José Alberto Sá

Mal dizer...


Mal dizer…


Pobre…

Diz alguma coisa com validade

Porque mal dizes do amigo

Pobre…

Explica a tua revolta

Exprime a tua verdade

Fala comigo

Terás uma oportunidade

A tua volta…

Pobre…

P ouco importa palavras do nada

O lha em volta, estás sozinho

B ebe um pouco de amor

R evoltas-te numa vida parada

E descarregas sem pudor

P intas quadros errados

O teu ego está desfeito

B albúrdia são teus recados

R aiva que levas no peito

E stende a mão não sejas assim

P alavras direccionadas a mim

O podre é a pobre inveja

B ate em retirada e terás uma mão

R azão de um amigo que te deseja

E nlaces do coração


José Alberto Sá


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A chave


A chave


A chave penetrou na fechadura

Eu ouvi...

O tilintar suava na mente pura

Eu senti...

A porta abriu

Mil desejos pedi.

De novo a porta se fechou

O céu existe... Pensei

A chave de novo penetrou

Meu rosto sorriu

A chave desandou... Acreditei

O mar é meu... desejei

Fiquei quieto, no tempo sem horas

Ouvia o bater do tacão

Eu sonhava em campos de amoras

Parou!

Corri sem sair do lugar

Tropeçei sem tropeçar

Meu coração disparou...

Uma luz apareceu sorrindo

Mulher! Menina! Beleza!

Levantei-me

Tudo aconteceu...

Igual ao abrir a porta da vontade

Na fechadura dos desejos

Com a chave do amor

Verdade...

No meu jardim... Uma flor


José Alberto Sá

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

No acto...


No acto...


Os lençóis estavam retirados

O seu ondular era marcante

Enrugados, aos pés da cama

Amarrotados...

No ar um pensamento picante

A vontade que desarma

A sede de beber

A fome do apetecer

A imaginação que nos liberta

Seria a porta aberta

Ou a janela fechada

A luz acesa ou apagada

Reflexos de um lençol

Traços de movimento

Fresco aviso do aquecimento

Do acto em anzol

Preso pela boca

Preso pelas escamas

Nas ondas imaginárias sem roupa

Num lençol onde o desejo derramas

...

Os lençóis estavam retirados

Numa pura imaginação

Mentes perversas de saciados

Lençóis de uma canção

Retirados pela mágoa do calor

Amarrotados pelo deslizar do queixume

Lençóis de louco amor

Nas descidas e subidas em lume

...

Retirados ao fundo da cama

Sujos e desnudados

Deslizados pela humidade em chama

Lençóis de luz, apaixonados


José Alberto Sá

Vinde


Vinde


Vinde ver as palavras que escrevi

Vinde ver como sabem dançar

Palavras que hoje conheci

Vinde ver como são belas

As palavras do meu embalar

Deslizam nas linhas como caravelas

Na linha do horizonte do meu mar

Vinde ver cada letra

Bailados da minha caneta

Nas linhas do meu olhar

Vinde ver como sabem dançar

Palavras como o amor

Que dançam como as borboletas

De flor em flor

Vinde ver como nasceram

Vinde e saciai-vos de seu perfume

Assim me conheceram

E me levaram até ao cume

Vinde ler esta paixão

Palavras de um poeta

Palavras do meu coração

Vinde… Deixei a porta aberta

Para vos dar a minha alegria

Pensamentos e vontades

A minha poesia…

Verdades


José Alberto Sá

Diz Senhor...


Diz Senhor…


José?

Uma voz me chamou…

Senti no escuro do quarto… Companhia

Olhei para o vazio

Senti… Que alguém me acordou…

Senti um chamamento… Harmonia

Fiz silêncio… Senti um arrepio

José?

Alguém punha à prova, minha fé

Não tive coragem de acender a luz

Tinha medo que fosse Jesus!

Estava imóvel… quase sem respirar

Meus olhos procuravam um sinal

José?

Tornaram a chamar

Voz suave, num sussurro de cristal

Senti O seu aproximar

Tive medo… Medo da noite, medo do dia

Senti o seu chamar

Senti-O tão perto… Era tudo que queria

José?

Aquele nome não parecia o meu

Aquele nome parecia vindo do céu

Aquela voz que me chamava

Era de alguém que me olhava

Ganhei coragem e acendi a luz

Na minha frente, estava Cristo na cruz

Alhei-O fixamente

Pedi para que me chamasse novamente

Senti naquele momento calor

Mas não me chamou

Senti naquele instante o seu Amor

Sabendo eu… Que foi Ele que me amou

Rezei a agradecer o seu coração

Estendi para Ele os meus braços

A vontade de cada mão

Ouvi e senti… Naquela noite

Os seus abraços

Num aperto de irmão


José Alberto Sá