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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sou um mortal dos mortais

Sou um mortal dos mortais

Jamais direi as dificuldades de alguns, daqueles, a quem nem tudo o que tocam lhes é amor.
Jamais serei o esmagar de certas coisas, daquelas, que dizem e que não falam de amor.
Sou um mortal dos mortais, de penitências e rituais, de instrumentos e confissões, de consciência e subconsciência, dos homens e das mulheres, sou um mortal de todos, os que comigo fazem ecoar o amor.
Jamais direi do inimigo, da moral religiosa, da falsidade que odeio, do medo que já não tenho, jamais direi do inimigo que tenho e não conheço!
Sou imune a quem me aparece como objeto, estou no rigor da palavra, do olhar e do pensamento, eu sou um mortal e jamais direi uma palavra que doa, jamais farei um olhar que cegue, jamais sentirei uma loucura que me persiga.
Sou uma violência carregada de amor, sou digno das vírgulas que me deixam respirar, sou um sem fronteiras de braços abertos, sou valor para quem me ama… Sou eu!
Jamais conhecerei outro espaço que me ocupe, jamais consumarei a perfeição se a não merecer, serei eternamente grato aos beijos e abraços que transporto de todos os que ainda não me conhecem, aos que me conhecem, agradeço cada pedaço de mim, que já é deles.
Sou um mortal dos mortais, igual a todos os demais.


José Alberto Sá

domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu falo e os outros também!

Eu falo e os outros também!

Falavam do consumar da cópula e não falavam da interrupção do amor!
Falavam dos beijos nos campos e não falavam do beijo em flor, do beijo nascido nos prados, do beijo conhecedor!
Falavam da prostituição, da impotência e do amor não!
Falavam do ser forçado e do beijo invulgar! E do ser amado? Nada perguntavam, nem havia nada a perguntar!
Falavam do corpo permissível, de beijos como pombinhos, de pensamentos mesquinhos e de esmerado desejo possível!
Eu falo de beijos voluntários, de amor em liberdade, enquanto outros impudicos, falam de amor como bestialidade!
Eu falo do simplesmente amor… Completo como uma porta aberta!
Eu falo em amor poesia… Como falo em amor de poeta!
Eu falo, como eu… Sinto, sei, quero e desejo!
Eu falo, como fala na verdade e no amor, da minha boca um beijo!


José Alberto Sá

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Tudo é bom, nesta canção!

Tudo é bom, nesta canção!

O resto também é corpo!
É ser amante de pernas, é ser amante de pés
É ser sensível às bermas, é ser possível se és!
Amante do toque ao nariz, amante do meu castigo
Sensível à boca que diz, possível abaixo do umbigo!
É ser amante dos seios, é ser amante do nu
É ser sensível aos meios, é ser possível se és tu!
Amante do toque no rabo, amante do teu abraço
Sensível ao sexo que trago, possível se vens e eu faço!
E o resto… Também é corpo!
Amante, sensível e possível
Se vens e eu faço!


José Alberto Sá

domingo, 15 de janeiro de 2017

Menina de olhar meu

Menina de olhar meu

Eram olhos nos olhos, eram lábios deslocados, eram expressões sem equívocos.
Eram sentimentos que se misturavam e se ofereciam ao alimento vivo do desejo.
Eram perturbação, eram imaginação, eram contraste e loucura erótica… Quando de olhos nos olhos, sorrimos.
E sem segredos durante a noite, se abriu a concha e uma pérola surgiu, durante a noite o equilíbrio nos uniu e tudo explodiu num céu de duas estrelas.
E quando o mundo nasceu de novo, olhos nos olhos nos amamos como poetas, eram olhos nos olhos e o ventre no ventre, como ondas brancas a bater na areia de um mar perdido em nós.
Eram olhos nos olhos e o mundo era sol, a lua continuava à espera, à espera que uma estrela nos facultasse a eternidade em mais uma noite…
Eram olhos nos olhos e uma tatuada memória de sensações, que um dia nos aconteceu, eram olhos nos olhos… Tu e eu…
Um dia… Que nunca mais vou esquecer… Olhos meus, olhos teus, até morrer.

José Alberto Sá

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A analogia ao desejo de um calcanhar!

A analogia ao desejo de um calcanhar!

Por incrível que pareça o amor tem destas coisas, o motivo, a compreensão, a dúvida, a certeza e uma mistura de beleza animal!
O olhar cega, para que veja melhor o conteúdo vazio, os espaços a preencher!
Por incrível, é bastante comprometedor quando supomos que a outra parte, não parte sem que exista união! Aí tudo já é, mesmo não sendo a versão completa daquilo que levamos em mente!
Os braços apoderam-se desde o início, logo que o olhar já tenha penetrado e se aromatizado até ao céu-da-boca!
As orelhas entram em conflito, numa mesma batalha em que os narizes se submetem à excitação, e à loucura dos rostos suados e despenteados!
O desejo é ramificado pelas extremidades dos dedos que dançam, é imortal o aroma e a humidade que nos ensina a canção! A árvore cresce e o fruto amadurece!
Afogo-me nesta analogia de um calcanhar!
Sinto-me delirado com a perfeição humana! No amor, tudo se pode exaltar!
Amo a fonte que me sacia a sede, a carne, a pele e a intensidade do pulsar!
Os corpos se idealizam desde a cabeça aos pés, gemidos, mãos que deambulam e calcanhares fincados na parede!
Assim é um corpo noutro corpo, no sentido total!
Esta é a analogia ao desejo de um calcanhar, que um dia também amou, por saber amar!


José Alberto Sá

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Amo-te no papel

Amo-te no papel

Intercepto na minha mente, os olhos que fitam as palavras, os olhos que na loucura do meu lápis, o segue, o sente, o estimula e o leva.
O lápis de fluxos macios, derretidos no branco papel, onde o olhar se mistura, e me faz deslizar pelas palavras que penso, que dito e ofereço.
Não é uma fábrica de palavras, é uma máquina somente com ritmo, com cadência e com desejo.
Não é filosofia, é a evolução de um ser que logicamente abraça, vê e se conecta à produção do ideal.
Intercepto os olhos que fitam as palavras, os meus olhos.
E escrevo na melodia de uma esfera que brilha e me ilumina.
Cada palavra uma cópula, um gemido abstrato, enquanto não lhe dou a origem e a beleza do meu olhar.
Cada olhar uma máquina, que penetra e sente a lealdade entre o lápis, a folha e a cópula que faz desabrochar as palavras…
Eu vejo, sinto e escrevo… Para ti…
… Depois do amor…


José Alberto Sá

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Há gente na estrada!

Há gente na estrada!

Quanto aos nus, o fundo é branco!
Gaguejos, risadas, ou falhas de voz
Num timbre gemido, seguido de espanto!
Um beijo vermelho na carne crua
Pernas de artista, que nunca estão sós
Êxtases de corpos que gritam na cama
Com ecos na rua
Quanto aos nus… São tudo, são chama!

A rua está fria, na lama da gente
Que ouvem os ecos, da louca ternura
Gente de corpos que gritam por nada
Braços abertos, testeira que sente
Um beijo que sufoca, na língua loucura
Timbre de voz, que soa na estrada
Gaguejos ou falhas do acto e da mente
Quanto aos nus… O fundo é branco!
No fim da estucada!

José Alberto Sá

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Desesperada(mente) vazia

Desesperada(mente) vazia

Cheia é a palavra de Deus, na escultura perfeita da vida.
Cheia é a rotação do mundo, na melodia perfeita do sorriso.
Cheia é a substituição do mau funcionamento, pelo dom de se saber substituir o mau pelo bem-estar na vida.
Desesperadamente a mente por vezes cheia de coisas, se sente vazia e incapaz da mudança.
Desesperadamente a mente por vezes quer mudar, mas essa mesma mudança tem de ser cuidada, pois a nada ou a tudo nos leva!
Desesperadamente a mente oferece-se ao mentor das boas palavras, e não às palavras de um Deus superior.
Cheia é a palavra de Deus, quando a mente a absorve e a distribui pelo olhar de quem se sente lágrima.
Cheia é a rotação do mundo, quando a mente gira e na tontura do momento se sente cair, é aí que a força de um olhar verdadeiro, faz com que o amor se levante… Um olhar verdadeiro!
Cheia é a substituição do mau funcionamento, quando se substitui pelo vazio, por um futuro sem nada e simplesmente se perde o abraço daquele amigo de antigamente.
Desesperadamente a mente é nossa, e ser nossa é pudermos olhar o mundo com Deus, com a maravilha do mundo e sabermos substituir pela verdade.
A única verdade é viver, saber viver e continuar a viver com amor…
Cheia é a palavra de Deus, no desespero da vida.
Cheia é a vida se tivermos amigos, cada um que se perde é um pedaço do mundo!


José Alberto Sá