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terça-feira, 29 de março de 2016

Que mundo!

Que mundo!

Encontrei o nunca
E soube o que nunca fui
Fui ninguém num nada do tempo
Num mesmo tempo, que nunca sonhei
Não sabendo eu…
Que acabei sem sonho
Sonhando o que nunca fui,
vivendo o que não me chegou…

Pois na ilusão fui nada,
um nada onde me ponho
Um tudo que não quero saber,
um tudo onde nada sou

E foi aí que nada encontrei
E sem me exaltar deixei partir
O sonho que nunca contei
Nem a realidade que está para vir
Incerteza?
Sim… Fui alguém que nada pude
Pois o puder em mim se ausentou
Tentei em vão olhar,
com olhos de ver e alcancei o nada
Um nada enorme,
pediu-me que tudo mude
Que mude a incerteza!
O mundo medíocre da ganância
Essa excelência!
Essa importância!

Dinheiro!

Na impotência minha mente girou parada!
Igual ao mundo onde nada sou
Girou onde me encontro,
num mundo quadrado onde vivo… E pronto!

Procurei indeciso por palavras de amor
E o nada se fez presente
Num vazio, como quem herda
E sem vacilar ofereci-me à dor
Sabendo eu que nada sou! Gritei a toda a gente…
… Merda!


José Alberto Sá

segunda-feira, 28 de março de 2016

Rapina

Rapina

Passas lenta… Em meu seio a voar
Roças o ventre na pele branca
Amor rapina no doce picar
Com garras no corpo, no rasgar da manta
À noite pias e desafias
Passas lenta… Sinto macio em nádegas de sonho
Solto ais e suspiros,
rasgo pelos dedos a manta em tiras
E somos nudez de dois corpos,
onde te pões… Onde me ponho

José Alberto Sá


Olhai...

Olhai…

Olhai… Olhai a lembrança
Deste coração magoado
Olhai… Olhai a mão que não alcança
O pulsar desse teu lado
Olhai…
Olhai a saudade do barco no mar
Olhai a saudade na dor do meu peito
Deste coração a chorar
Olhando a gritar…
O nosso barco desfeito

Olhai…
Olhai o cais vazio
As amarras sozinhas, que outrora
Ancoravam mesmo com frio
O nosso amor à deriva e sem hora
Olhai…
Olhai a gaivota ao longe, vem a voar
Traz a lembrança e a saudade
Nos gritos de um céu por acabar
E no olhar… Traz a verdade


José Alberto Sá

Mulher de olhos claros

Mulher de olhos claros

Mulher de olhos claros
Azul celeste
Bênção que eu beijo todos os dias
Sou em ti prisioneiro
Desse azul que me deste
E que me prende o corpo inteiro

Mulher de olhos claros
Da cor do mar
Minha maré alta, minha maresia
Sou em ti o verbo amar
Desse mar de alegria
Que me leva e me faz de ti gostar

Mulher de olhos claros
Que brilham em toda a cor
Bênção da luz do luar
Sou o dia em ti amor
Desse azul que me veio buscar
E que me faz eterno no teu olhar


José Alberto Sá

domingo, 27 de março de 2016

Uma voz

Uma voz

A noite veio falar-me
E o silêncio tocou-me em segredo
Rezei…
Corri de olhos fechados pelo mar
E as ondas vieram molhar-me
Saltei…
Saltei nas areias de um deserto sem medo
A noite veio escutar-me
E a luz que não via quis tocar-me

Sou pequeno…
Para ouvir a voz deste mar
Destas ondas que buscam a minha oração
Sou pequeno…
E a noite silenciosa eu quis abraçar
Dormir com ela no meu coração

Corri de olhos fechados
Para buscar novos céus
Os anjos cantaram e me amaram
Todos pela vida apaixonados
A noite veio falar-me
E eu acordei na voz de Deus

José Alberto Sá

sexta-feira, 25 de março de 2016


A parede...

A parede onde me encosto se faz fria…
A mão desliza e se amarra,
Como se amarra o sussurro por entre os cabelos…
E toca…
Toca a vontade que mais se deseja…
Boca… Boca que se beija
Quem de mim… De ti…


José Alberto Sá

Fragrância de Rosa

Fragrância de Rosa

Por isso senti o vento…
Vieram fragrâncias de rosa,
vindas dessa roseira cintilante
Sim…
E essa essência se tatuou neste meu corpo,
feito pelo eco da tua presença…
Sim…
As ténues areias me acariciaram feito pétalas
e os suores se agarraram feito braços
Odores de dois corpos que bailaram
No rasgar da pele, onde o amor foram abraços
Desenhados pelas nossas bocas…
Sim…
Amamos… Loucura num respirar que soprou
Vieram fragrância e o ventre se uniu
Nas curvas delicadas de uma roseira
Onde a perfumada companheira
Amou…
E fez-me sentir…
E ao sorrir, me mostrou que também sentiu


José Alberto Sá

Dói-me a voz

Dói-me a voz

Oiço a voz da terra
E lembro os que já não estão
Oiço de coração
Os gritos do amor
No ódio à guerra
Como se fosse… Uma canção

Oiço uma voz enamorada
Uma rouquidão dolorosa
Como no sono a terra desbravada
Como picos de uma rosa
Soando gritos pela voz embriagada
Como se fosse o tudo… Ou nada

Oiço a voz da terra
E lembro a mágoa triste e contente
Gritos perdidos de quem quer ser gente
Vozes ao céu como quem berra
Às almas de quem o amor sente
Como se fossem poesia… Descontente

Oiço uma voz enamorada
Oiço a voz do alto da serra
E dói-me a garganta inflamada
Por gritar e ninguém ouvir, este meu ser
Gritos do mar, do céu e da terra
Pedindo tão simplesmente… Viver


José Alberto Sá

quarta-feira, 23 de março de 2016

Tua luz

Tua luz

Eu quero ser,
essa luz que me acompanha
Olhar nos olhos teus
E sentir fogo na entranha
Numa brasa tua a arder

Eu quero ser,
essa luz dos olhos meus
E sentir nos olhos teus
A mesma luz do apetecer

Estás a saber,
Que o amor é meu e teu
Essa luz que sempre faz companhia
Enlouquecer…
Será razão de um louco céu

Eu quero ser…
Essa luz quando me dizia
Que o amor… O nosso amor
Sempre seria…

Sempre seria…
Todo dia… A toda a hora
Eu quero ser…
Essa tua luz sem demora


José Alberto Sá

Talvez um dia

Talvez um dia

Pergunta-me…
O porquê destes meus versos
Tristes, alegres e dispersos
De um coração doce e partido…

Pergunta-me…
O poema, que te escrevo comovido
Amargo e mal compreendido
Na pergunta que me colocas…

Pergunta-me…
O porquê da minha vida
Inconstante e diluída
Num olhar e na saliva de mil bocas…

Pergunta-me…
Pela areia, pelo mar
Das ondas tuas que sabem calar
Na pergunta que pões

Pergunta-me…
E talvez te responda um dia
Se para minha alegria
Unirmos os corações


José Alberto Sá

terça-feira, 22 de março de 2016

Meu bebé

Meu bebé

Bebé?
Sim… Bebé… Sou eu
Quero que venhas comigo tomar café
Vens bebé?
Quero-te amar
No pescoço beijar
Nos teus lábios sorrir
Ao ouvido sussurrar
e contigo dançar
Porque te quero sentir
Bebé?
Sim… Bebé… És tu
Quero-te chamar assim
Continuo na minha fé
Que um dia, teu corpo vem até mim
Quero olhar-te de cima abaixo
Pegar-te como quem pega num cacho
E saborear-te
Bebé?
Sim… Bebé… Meu consolo
Chega-te ao meu pé
e dorme no meu colo
Sim… Bebé…
Sou eu que te chamo
Vem… É só um beijo
E eu te amo
Sim bebé… Sou eu que te desejo


José Alberto Sá

domingo, 20 de março de 2016

Anjo...

Anjo…

Chamei-te anjo…
Que mais poderia, a não ser esse o voar
Chamar-te o quê?
Chamar-te em amor, corpo nu!
Chamar-te o quê?
Se tudo que me faz voar…
És tu…


José Alberto Sá

domingo, 6 de março de 2016

Que vejo eu...

Que vejo eu…

Que vejo eu no corpo,
deste culto poeta!
Senão um ser inconsequente
Nascido de uma semente
Criado para ser gente
E que vive,
sem que aguente!
Somente…
Somente para morrer um dia
e viver novamente
Numa luz continuamente
Oferecida por Deus em harmonia
Onde serei estrela num céu…
E amor eternamente



José Alberto Sá
Feres-me

A fogosidade dos olhos teus
Ferem o negro ébano da menina dos meus
Nem imaginas as imbecilidades,
que me obrigas a fazer…
A fogosidade dos lábios teus
Ferem a saliva feita de espuma dos lábios meus
Nem imaginas as loucuras deste meu ser
Quando te olho e te desfolho
Como a uma flor
Carregada de amor


José Alberto Sá
Destinei-te a mim

Pareces um cisne
De amor branco
Quando te abraças a mim
Inspiras-me o inocente
E delicado manto
Quando te imagino, para lá de um sim
E quando voas…
Não me és indiferente
E quando voas,
é sobre meu ventre
Este meu ventre que atordoas
Amor branco!
Destinei-te a mim,
a um céu
Escrevi sobre ti na pele
E na entranha do que é meu
Desenhei com o dedo
Um deslizar sem medo
Na procura do teu mel
Fizemos amor…
Pareces um cisne
De amor branco
Quando me amas
E eu te amo tanto


José Alberto Sá
Esforço da mente

É impossível desnudar-te
É certo que… Amar-te
Sempre amei
Mas desnudar-te… É impossível
Tu foges e eu sei
Eu sei…
Que é Cruel, desumano,
a forma que transportas
Esse corpo sem asas… Com asas!
Apetecível
Abrem-se janelas, batem as portas
O vento sopra, a corrente passa
Os olhos brilham
O corpo pulsa
A mente abraça
E tu…
Não te desnudas
Dessa roupa que não expulsas
Dessas asas de tecido
Que me desnuda o ventre
Me desnuda os lábios em gemido
E me fazem tremer… Tremer
Nesta vontade de ti ausente
É impossível desnudar-te
É certo que… Amar-te
Sempre amei


José Alberto Sá