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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Já nada!

Já nada!

Já nada do que escrevo é meu, já nada do que planto cresce para mim, já nada do que penso se faz obra, já nada é tudo, num tudo que sobra, sem que algo tenha produzido!
Já nada me faz sorrir quando o tempo chora, já nada me faz correr na procura da multidão… Já nada é tudo, se tudo é cansaço do nada já feito.
Quando o já feito é sim ou não!

… Pudera eu alterar e nada faria diferente!
… Pudera eu rabiscar e tudo seria igual ao já feito!
… Pudera eu amar mais um pouco e tudo seria muito mais do que até aqui!
… Pudera eu levar e nada carregaria de novo em meus braços!
… Pudera eu gritar sim e o não seria a negação do resto!

Já nada do que escrevo é meu!
Já nada!
Nada!

Já nada de mim respeita a mentira, já nada do que transformo se nega à existência, já nada que os meus olhos vêm é verdade, pois a íris por vezes se engana, já nada me levanta a cabeça se durmo num sonho doce, já nada me altera, já nada…

Fosse quem fosse…

Pois já nada do que escrevo é meu!
Já nada!
Nada!



José Alberto Sá

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Verbo pulsar

Verbo pulsar

Normal é a cópula, natural é o consumar
Normal é o beijo, com sabor a campo
E o prado é outro amado
Do verbo amar… E tanto…

Normal é a cópula, natural é o gostar
Normal é o abraço, na quentura do manto
E o cobertor do amor é o outro calor
De um sol estrelar… E tanto…

Normal é a relação, a magia copular
Normal é o toque, a língua em pranto
E o gemido do outro lado
Do verbo gritar… E tanto…

Normal é a relação, o dedo a deslizar
Normal é o pensamento, o desejo de um santo
E o sentir a boca a sorrir
Num verbo que canta e sabe dançar… E tanto…

Normal é a cópula, natural é a relação
Normal é o sonho, a mulher encanto
E o ouvir poesia, amar em qualquer dia
Do verbo que vive no coração!

O verbo pulsar… E tanto…
Tanto amor para dar…


José Alberto Sá