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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Beija-me daí...

Beija-me daí…

Que o amor seguinte não interrompa o amor de agora
Que o amor de outrora seja sucessivamente, amor sem demora
Que me saiba interceptar os desejos
Os fluxos contínuos, como contínuos são meus beijos
Que a arte evolua ao mesmo ritmo que a vontade
Que o amor seja, eterno, puro e sem idade

Beija-me daí…

Que o fantasma que vejo pela noite me apareça de novo
Que a sombra que caminha seja tua
Que os gemidos sejam parecidos, com a voz do povo
Os gritos surdos e o agarrar, seja de pele nua
Que a coroa de rainha te faça corar, depois de coroada
Que o cansaço seja do amor, de uma vida sempre amada

Beija-me daí…

Que eu daqui, já te beijei, porque te amo…



José Alberto Sá

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Desejo sentir-te...

Desejo-te sentir…

Nunca te conto o que sonho…
Nunca te digo o que desejo, pois ele é superior ao escuro do meu quarto… Superior ao negro dos meus olhos quando os fecho, superior ao desejo de poder voar e desejar-te sentir.
Nunca te conto nesta vontade de sentir o que vejo, sem ver… O que desejo no sonho, o que toco sem tocar…
Também nunca me perguntas o que sonho, nem tão pouco me olhas nos olhos e me beijas…
Sabes que o diálogo do meu dormir é viver sonhando, é viver e aprender como tocar o céu vestido de gemidos e sentires capazes de me fazerem corar ao acordar.
Nunca te conto, mesmo quando dormes longe de mim, mesmo quando o mar é uma espuma branca e suave… Mesmo quando me apetece romper o segredo.
Mesmo quando os dedos te desejam tatuar… Nunca sabes que te desejo. Nunca me perguntas e eu nunca te conto…
Tu sabes que te desejo, agora só preciso acordar e ter-te a meu lado. Nunca te conto quando durmo sozinho… Pergunta-me?
Pois… Se me perguntasses era sinal de que te tinha.
Nunca te conto e hoje nesta louca excepção te digo: Desejo sentir-te, quando vieres…


José Alberto Sá

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Um corpo fora de mim

Um corpo fora de mim

É o corpo, é o corpo!

É a obra que me cativa o desejo
É o acto
É o sopro
É o beijo
É o trato

É o corpo, é o corpo!

É a excelência da criação
É o amor
Flores de um horto
É paixão
É calor

É o corpo, é o corpo!

É a essência da forma humana
É espécie corporal
Cálice do porto
É chama
É fenomenal

É o corpo, é o corpo!

É a loucura do meu sim
Mulher verdade e prazer
É corpo, é corpo dentro de mim…
É corpo que acontece, num corpo a acontecer


José Alberto Sá

terça-feira, 7 de julho de 2015

Há quem...

Há quem…

Eu sei que no mundo há quem faça…
Há quem viva
Há quem lute
Há riqueza… Há desgraça
Eu sei que no mundo há quem diga…
Há quem mate
Há quem esfole
E é cantiga!

Eu sei que no mundo há loucura…
Há quem grite
Há quem fale
Há quem de tudo, tenha nada
Milho rei… Espiga debulhada
Há quem guerra… Há quem fadiga
Há quem cale
E é cantiga!


José Alberto Sá

domingo, 5 de julho de 2015

Tu? Caminhas por aí?

Tu? Caminhas por aí?

Não sei caminhar pelo alcatrão moderno… Tenho saudades das pedrinhas que magoavam os meus pés.
Hoje os sapatos deslizam empenhados em aumentar o stress da vida…
O cérebro sente o cheiro a alcatrão, está viciado!
Tenho saudades das pedras da calçada… Estou farto desta droga…
Da inoperância dos que caminham sem sentir o chão…
Tenho saudades dos caminhos de pedras puras e limpas.
Os meninos, já não brincam na terra por onde o trânsito não se fazia, os meninos hoje são adultos num trânsito de bocas felizes, algumas por caminharem maldizendo… Outras não sendo, pensam que são, que são caminho!
Tenho saudades do tempo onde a lama cheirava a terra, hoje a lama se sente putrefacta… Não sei caminhar pelo alcatrão moderno…
O mundo caminha sem direcção… Total inquietação!
Não sei onde me encontro e tenho saudades das pedras limpas e puras.
O meu cérebro já sente a ausência do cheiro da terra.
Pobres dos que caminham no alcatrão moderno e não olham a terra dos que pisam a necessidade…
Que terra!
Que mundo!
Que povo!
Que raça!
Que porcaria de estradas sem direcção!
Tenho saudades dos caminhos trilhados, mas ainda mais saudades dos caminhos de terra e lama pura… Não tenho saudades da glória, sem vitória, sem história, sem memória de um caminho somente sonhado…
Caminho pela exactidão dos neurónios aflitos do meu cérebro… Caminho… Sem saber caminhar pelo alcatrão moderno…
Tenho saudades…


José Alberto Sá

Mente sem se(mente), que mente

Mente sem se (mente), that mente

Sem cansaço da Minha simplicidade, olho o espelho e revejo-me mil vezes sem Conta, sem Conta-me Vejo sempre igual.
Os Olhos Cansados ​​Olham o brilho da lágrima, Por se verem incompreendidos.
A boca seca ESTÁ cansada, Pela angustia de Nao sabre Parar e de Nao Conseguir Chegar ...
O Rosto cansado, enrugado, reflecte-se no espelho que me Mostra hum Ser bom e POR vezes perdido.
Como Mãos cansadas teclam nenhuma moderno ser, sempre na Vontade de that o espelho NÃO se parta ... Em desabafo ...
Tento POR vezes deixar de ser, O Que Querem Que Eu SEJA ... O meu espelho NÃO SE embacia, continua a espelhar hum sol that Só Alguns sentem, Só Alguns veem, Uma luz Que vive no interior meu, vinda de um amor exterior.
Nao tenho Espaços medíocres não meu espelho, nao tenho visões Superiores, Inferiores NEM, não meu espelho o Nível de e doce. Por vezes oiço Uma voz grita that de Baixo Nível e Baixo Nível ... Ao Perdoo Esse eco de voz de Alguém, Que Já NÃO se ve, Que Já Não Tem espelho, that Já NÃO vive, that SOMENTE PENSA em si ... Pensa Estar não Máximo ... NÃO EXISTE Máximo!
Sem cansaço da Minha simplicidade, amo o espelho da vida, de todos, de Tudo, n'uma Igualdade sem limites ... Tudo Isto sem espelho Onde Vejo o meu Rosto ... Cansado mas feliz ... Os Olhos Cansados ​​e POR vezes incompreendidos ... Amam ... Os Meus ...
A boca Minha ... O meu Rosto ... Reflectido num espelho de amor.


José Alberto Sá