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domingo, 30 de setembro de 2012

Procuro... Juro


Procuro... Juro

Eu não procuro o vazio, o nada, tenho que ver
Procuro coisas tocáveis, sentires adoráveis
Procuro coisas que são, mas podem não ser
Com amor eu procuro sentires admiráveis

Procuro o amor verdadeiro, no sentido da palavra
Um amor presente sem mentira, sem doidices
Procuro algo lisonjeiro e não mentes parvas
Que não queria encontrar, no escuro das aldrabices

Procuro coisas no infinito, na noite, durante o dia
Encontro por vezes risos, gemidos e gargalhadas
Mentes ocas, perdidas e de coração impuro

Procuro na minha tristeza, o sentido da alegria
Não procuro palavras das mentes paradas
Procuro por aí o sentido do amor...  Juro

José Alberto Sá

Deitada em meus braços


Deitada em meus braços


Nos braços a ténue luz do teu olhar
Meu bebé...
Meu sentir,
um raio, uma luz, o luar
Meu bebé...
Nos meus braços, quanta fé
O sentir do amor
Pressenti que o vento não soprava
O sol já ido,
 iluminava a luz da lua
Nos meus braços o seu perfume
O meu bebé, menina nua
A melhor estrela que me apareceu
Aquela que mais me reluz
Nos meus braços, nem um queixume
Dormia o meu bebé, à luz do céu
O meu bebé...
Um corpo deitado só para mim
Um corpo amado num beijo apetecido
Meu bebé, meu jardim
Meu bebé já crescido
Meu amor que à luz me falas
Bebé que em palavras me cativas
Nos meus braços já não calas
Num beijo dado em mistura de salivas
Meu bebé...
Meu louvor...
Nos braços embalo... E tudo é...
E tudo que sinto nos braços,
é amor

José Alberto Sá

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não te vás...


Não te vás...

Porque choro sempre que vais
Muitas lágrimas…
Porque imploro sentimentos tais,
que me levam ao desespero
Choro e não quero
Mas a tua ausência me dilacera
Quem me dera,
não chorar
Lágrimas…
O teu silêncio me sufoca
Meus olhos se revoltam
E não sei quando voltam,
as palavras da tua boca
Choro por não te ter amor
Choro sempre que te vais
Sentimentos normais,
de quem ama
Meu soluçar derrama
Lágrimas de amor, meus ais
Choro amor, não te ausentes do meu ser
Meus olhos vermelhos cegam
E não me negam,
a vontade de te ter
Lágrimas escorridas
Numa face que sonha contigo
Lágrimas do meu castigo
Lágrimas que sofrem pela despedida
Te amo mesmo que vás
Te quero mesmo ausente
Te adoro só de te imaginar
Te desejo e isso me satisfaz
Lágrimas que meu coração sente
Água que choro por te amar
Puras e sentidas em minha boca, salgada
Lágrimas na vontade de um beijo
Quando te vais… Meu desejo
Numa lágrima de amor, por mim derramada

José Alberto Sá

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Desejo


Desejo

Chamei de desejo
À linha que nos separa
Um fio longo transparente
Insaciável como doçura de um beijo
A sua distância
a vontade que não pára
Um corpo meu que te sente
na tua fragrância
de quando olho o infinito
E na vontade de um grito
Dizer que te amo
Chamei de desejo
À linha que me leva ao amor
Não é engano
É o amor sobre a linha que vejo
Quando vibras na luz de uma flor
E eu sinto o teu vibrar
Na linha do desejo e da saudade
Uma linha invisível
Mas apetecível,
pela sua verdade
Chamei de desejo
Ao meu desejo ardente
Chamei de desejo
ao teu desejo finalmente
A linha que me leva ao teu olhar
Meu desejo, um caminhar sobre a luz
Teu desejo, a minha cruz
A linha que me leva,
a te amar

José Alberto Sá

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Paixão além-mar


Paixão além-mar

Além do mar
A louca separação
O não desistir de amar
E no mar,
olhar as ondas da minha paixão
Sinto que devo arriscar
Ser levado nas ondas do meu pecado
Sinto-te doce, eu o sinto desse lado
A cada onda que me fala
Sinto vontade de me atirar
Nadar… Nadar… até te encontrar
A minha paixão não se cala
O horizonte é a linha que nos separa
Uma linha onde sol te beija
A água brilha num amor que não pára
E meu coração te deseja
Já não sei se deva
Cair nas águas e me deixar levar
Já não sei se escreva
Palavras nos sonhos do meu olhar
Afogo-me sem tentar
E rabisco palavras do meu naufragar
Tudo para te sentir
Além-mar
Sentir-te…
Numa ave, numa borboleta, num jardim
Sonhar com a esperança de um sorrir
Que um dia desse lado,
serás tudo para mim

José Alberto Sá

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Na parede


Na parede

Desnudado
e encostado à parede
Frio nas costas,
arrepio por todo o lado
Sede…
Sede da humidade em tudo que mostras
Encostado na parede
Braços abertos de um crucificado
Olhos vidrados na tua vontade
Trepas amor, como se eu fosse uma rede
Um sentir extasiado,
pela tua voracidade
Queria intervir… Não me deste tempo
Parecias levada no vento
Reboliço de gozo pela tua mão
Um beijo
Um desejo
O acelerar do meu coração
E eu… Eu continuava pregado na parede
Queria mais…
Mais…
Muito mais…
O delírio do teu amor não me conteve
E naquela parede fomos animais
Uma parede onde frio senti
Uma parede onde senti teu calor
Nada disse, somente gemi
Naquela parede de amor

José Alberto Sá

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Desejo de um sol


Desejo de um sol

Em palavras o sol me apareceu
Lindo, vestido num corpo feminino
Rendas de luz transparente
Nudez num corpo parecido com o luar
Luz que penetrava no meu corpo de menino
Senti no corpo a luz que me aqueceu
Menina quente
Sorriso diamante
Ternura num ventre sem rodeios
Disse ser luz na vontade de amar
Quando namorei a beleza dos seus seios
E naquele instante…
Olhei a sua luz como um girassol
Amei…
Amei aquele sol
Quando senti seus dedos me tocar
Levei-a comigo
E já deitados no meu leito
Namoramos juntinhos… Amamos
Loucura no ondular
Um sol, uma vontade, tudo perfeito
Beijamos
E rebolamos num corpo nu
Senti o sol tatuar
Com agulhas do seu beijo
O sol era amor, eras tu
Num dia azul cor do mar
Onde teu corpo foi meu desejo

José Alberto Sá

domingo, 23 de setembro de 2012

Carta à chuva


Carta à chuva

A chuva cai
Cai sobre o pó da terra seca
A chuva vai
Vai levada numa correria até ao mar
Nem um ai
Quando a chuva cai,
sobre o que guardo na minha gaveta
Chuva de amor, num ser que é pai
Que sente a chuva a passar
Como água lamacenta
Mistura
Dura
Numa procura,
desenfreada
Procura do nada, um sentimento em papel
Que escrevi e guardei
A chuva cai e eu já nem sei
Se devo continuar a escrever
A chuva vai e eu já não quero
Não quero pensar na carta do meu desespero
Um sentimento sem quartel
Onde guardo palavras que à chuva tento recordar
Escritos de amor que escrevi embriagado
Pelo suco da uva
Mas hoje, lembrei com a chuva
A carta que me faz acordar
E me faz transpirar apaixonado
A chuva cai
E eu, aqui olho cada gota
Levada junto com o pó
Gotas sem dó
De uma menina marota
Tempestade numa carta sem abrigo
A chuva cai linda e farta
A chuva vai
Mas tu ficas comigo
Na minha carta

José Alberto Sá

Vestido de amor


Vestido de amor

Vesti-me, tapei a minha nudez
Não podia continuar como Deus me fez
Nos meus pés
Calcei a vontade de caminhar
Atei os cordões para que a vontade ficasse comigo
Vesti-me para Ti... Sei quem Tu És
És a roupa do meu amar
Por isso enfiei calças
Calças que tapam muito perto do umbigo
À cintura, apertei com um cinto
Para sentir o castigo
Não vá a nudez voltar
Na parte de cima, uma peça com alças
Um ombro desnudo
Carícia talvez, pecado ou labirinto
Vesti-me para sair à rua e Te olhar
Vesti-me de amor, minha vontade é tudo
Tudo para Ti
Tudo por Ti
Tudo pelo vestir da minha vontade
Na cabeça coloquei um chapéu
O sol que me tocava na cabeça,
era a Tua Mão de verdade
Sentia no meu vestir, o calor do céu
Por isso vesti-me para que um dia mereça
Uma roupa de amor
Num céu azul que é Teu
Um vestir de pétalas de uma flor
Luz, paz e amor de uma só vez
Numa roupa que me deste
Quando a mim Vieste
E me deste a minha nudez

José Alberto Sá

sábado, 22 de setembro de 2012

Beija-flor


Beija-flor

B eija-flor
E sbelto sentido da cor
I mitação do beijo
J ardim de éden meu desejo
A sas transparentes pelo amor

F rágil debicar
L uz e suavidade
O delicado beijar
R eal bater em liberdade

O colibri
U m pássaro encantado

C or paraíso, num beijo que sorri
O pequeno gigante apaixonado
L ibélula parece em tudo igual
I luminado no seu voar
B atendo asas ser angelical
R ei no amor em cada flor no beijo dado
I mpulsionando o meu amar

José Alberto Sá

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Quem sou...


Quem sou…

Quem sou…
Sou um simples ser humano
Invadido por palavras que escrevo sem saber
Sou aquele que em palavras vos dou
Palavras sem engano
O meu apetecer

Quem sou…
Sou uma mão quase vazia
Preenchida somente pelo meu giz
Sou aquele que em palavras vos dou
Palavras da minha alegria
Que nas folhas brancas eu fiz

Quem sou…
Sou um coração que palpita
Que ama, que sabe o seu lugar
Sou aquele que em palavras vos dou
Palavra para quem acredita
Que meu coração é de amar

Quem sou…
Sou aquele que alguns queriam ser
A sensibilidade e beleza da minha caneta
Sou aquele que em palavras vos dou
Palavras do meu crescer
Quando sonho que sou poeta

Quem sou…
Entrem e podem ler no meu olhar
Sou as cores do arco celestial
Sou aquele que em palavras vos dou
Carinho, verdade e amor ao respirar
Quando o pecado me leva na vontade carnal

Esse… Sou eu…
Sou aquele que em palavras vos dou
A terra, o mar e o céu
Esse é quem eu sou

José Alberto Sá

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sentir


Sentir

Quando te sinto…
É como ver borboletas, anjos de luz
O ar fica colorido
O teu olhar que não vejo, me reluz
E imagino tua boca, num beijo apetecido
Envolvo-me num abraço para te sentir
Basta olhar, o que tua mão escreve
E já nada…
Nada o teu coração me deve
A não ser o teu… O meu sorrir
Quando te sinto…
Sinto um sorriso que um dia te vou partilhar
Corro para teu colo
Quando te sinto…
Sinto que vou… Amar… Amar
E rebolar contigo no mesmo solo
Tudo,
quando te sinto…
Vejo os anjos nas borboletas
Vejo colorir o meu respirar
E sinto que me olhas na luz dos cometas
Sonho com a humidade dos lábios teus
Abraçando-te até sentir o teu calor
Olhando-te desejoso, pelo romper dos céus
E sinto porque te tenho… Meu amor
Quando te sinto…
Sou a borboleta na tua procura
Sou o anjo que te deseja
Sou a tela onde te pinto
Nas cores da minha Loucura
Tudo…
Quanto te sinto…

José Alberto Sá

domingo, 16 de setembro de 2012

Imaginei-te


Imaginei-te

Imaginei-te ao olhar o azul de um céu que me convidou
A claridade celeste resplandecia pelo meu apetite
Imaginei-te num ponto algures no infinito
Ao olhar o azul de um céu que me chamou
A claridade celeste, que numa luz me fez o convite
Imaginei-te naquele ponto de rosto bonito
Belo o azul que me fez levitar
Única a claridade que me transportou
E tu… Tu menina celeste no céu a brilhar
Eras a pureza num azul que comigo ficou
Imaginei-te decorada com carinho e amor
Falei contigo, imaginando-te a mais pura
Imaginei-te num céu que me atura
E beijei-te como se fosses uma flor
Azul… Era a vontade de um céu que eu olhava
Azul… Era parte de um arco-íris que me oferecia o teu odor
Azul… Era o teu sorriso que ao céu me levava
Por isso imaginei-te a mais bela em tom celeste
Imaginei-te correndo para meu jardim
Trazias no rasto azul, o céu que te despe
E nua… Parecias o azul que imaginei para mim
Agora envio esta carta para que saibas meu amor
Agora imagina-me azul igual ao teu céu
Agora lê e sonha olhando a minha cor
E ficarás a saber a cor de um coração, que já é teu

José Alberto Sá

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Amor e mente


Amor e mente

Batidas aceleradas, o compasso
A marcação
A respiração
O abraço
Um coração apaixonado
Batidas pelo sangue bombeado
Vontade de subir ao prazer
Batidas de um acontecer
Por corpos aprovado
Meu ouvido, junto a teu peito
Sente…
Ao mesmo tempo que teu aroma me sobe
Meus lábios sequiosos querem-te a jeito
Quente…
Quente pela vontade na prova dos nove
O resultado perfeito
Onde teu corpo quer ser meu leito
Não para dormir
Mas para sorrir
Pelo amor que sobre as montanhas
Sente…
As batidas de dois corações em combustão
Sente…
Sente o vulcão…
Na lava que nasce pelas entranhas
Sente…
Batidas aceleradas, o compasso
A ocupação de teu espaço
Quente…
Sim, quente e húmido… Transpiração
Batidas até à exaustão
Sente… Quente…
O poder do amor, a nossa mente

José Alberto Sá

Uma lágrima sozinha


Uma lágrima sozinha


Uma gota orvalhada pela manhã
Esgotada de saudade
Uma lágrima que ao céu brilhará
Sozinha perdida na sua vontade

Uma gota que ao meu mar pertencia
Sonhadora como outra gota qualquer
Uma menina de amor e maresia
Mas que sozinha sofria, como uma mulher

Mar imenso, mar de horizonte em mil gotas
Olha em volta e recebe mais uma
O tempo é a saudade onde esgotas

As horas em que amas em forma de espuma
As meninas marotas, as tuas gotas
Na esperança que um dia recebas mais uma


José Alberto Sá

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Bodas de prata


Bodas de prata

B em dizia alguém que não sabia
O quanto é difícil chegar
D eus sabe, para minha alegria
A vontade do meu amar
S ou eu na palavra

D ádiva e gratidão
E m terra que meu amor lavra

P ronto a dar a minha mão
R ezando sempre pelo bem
A mando sempre o nosso hino
T entando sempre ir mais além
A mar a união e o fruto divino

José Alberto Sá

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A formiguinha.

Ama a formiguinha sem mostrares vaidade.
Ama a formiguinha sem falar dela, mas sim demonstrando esse amor.
A formiguinha é amor, o seu trabalho são calos em nossas mãos.
Cuidado quando dizes, eu amo a formiguinha, podes depois não conseguir demonstrar esse força e realidade.

Um ser pequeno, maior que o amor humano.

Foto de: José Alberto Sá.

Máquinas humanas (injustiça)


Máquinas humanas (injustiça)

Máquinas fardadas
Em barulhos que fazem estremecer o chão
Óleos perdidos pelo chão do abismo
Máquinas medonhas, mesmo paradas
Fazem barulho da cor alcatrão,
como descargas de autoclismo
Prensas aquecidas em furnas de medo
Balancés moribundos em louco gaguejar
As mãos com luvas escondem a reza do credo
Prensas com rolos e lodos no ar
Cheiros fétidos da poeira cancerígena
Trabalho carrasco vestido de verde
Laminadoras cortando a mente aborígene
Prisões de um povo entre a parede
Serras cortantes, dentes com fome
O medo nos olhos…
A incapacidade de alguém que nos consome
e nos transmite sóis, luxúria aos molhos
Mentiras gravadas na testa
Máquinas precisas, máquinas de pão
Gente que não presta
Loucos avarentos de ferrugem no coração
São máquinas ou robôs
Superiores do além
Era assim no tempo dos nossos avós
Hoje as máquinas continuam aquém
Paredes crivadas pela injustiça
Chicotadas em palavras, flechas atiradas
Trabalho muito, alguma preguiça
E as máquinas a trabalhar parecem paradas
Eu chamo injustiça…

José Alberto Sá

Que caminho é este?


Que caminho é este?

Caminho com pés de algodão
Sobre uma vida de pedra agreste,
de um mar revoltado
Sintam-me areias volumosas
Sintam o poder de uma mão,
que agarra o caminho que me deste
Caminho de picos, nascidos em rosas
Sofro…
Caio…
Choro…
Sofro pelos caminhos bloqueados
Caio pelos caminhos em rasteiras
Choro levando os caminhos cravejados,
de mentes perdidas em asneiras
Sofro…
Porque sozinho não consigo
Caio…
Porque sozinho sou impotente
Choro…
Choro sem vergonha
Porque eu… Como vós, sinto o castigo
É por isso que caminho com pés de algodão
Tento não me ferir
Choro sem vergonha, porque tenho receio,
de voltar a cair
Sofro…
Caio…
Choro…
Mas o caminho, esse poderoso incerto
Caminho de recreio
Já me conhece…
Já me viu sofrer por perto
Já me viu cair onde moro
Já me viu chorar,
não porque me apetece
Mas sim porque queria,
um caminho de paz, de amor, de luz
Queria mais alegria
e não este caminho
Esta cruz


José Alberto Sá

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Eu peço... Perdão...


Eu peço… Perdão…

Grito contra os céus
Não sei como abafar a cor rubra
O tom isolante de um céu esquisito
Somente grito
Haja alguém que me oiça
E lave a sátira que me derruba
Abrem-se as nuvens em trovão
Abrem-se frestas na terra
Gritos de calor, tempo suão
Gritos sem voz, almas em guerra
Cravam-se raízes de árvores melindrosas
Cravam-se vozes sem dialecto
Gritos do além, mentes copiosas
Perdidas num mundo, seres sem afecto
Peço-vos mentes impuras
Degradadas pela maldade
Meu grito ao céu…
São perdões e curas
São perdões da minha vaidade
Devolvidos sem ódio ao corpo teu
Grito…
Grito para que me oiçam, estou aqui…
Grito para que me oiçam, somente escrevo
Fico…
Fico para que me sintam… Amor que vivi
Fico para que me sintam, nas folhas de um trevo
A sorte…
A morte…
É um grito indefinido
A sorte pelo amor compreendido
A morte pelo amor perdido
Mas… Eu grito…
Peço por mim e por ti, todo o perdão
Não temas…
Meu pedido é de coração
Sou amor
… Apenas…

José Alberto Sá

sábado, 8 de setembro de 2012

Pão da minha mãe


Pão da minha mãe

Pão
Milho
Centeio
Cevada
Grão
Que partilho
Cultura do meu meio
Mão calejada
Farinha amassada
De água embebida
Fermento
Pessoa amada
Amor da minha vida
Meu alimento
Pão
Da minha mãe
Coração
Corpo de Deus
Amén




Um agradecimento de amor, ao pão que me é dado por minha mãe todos os sábados.
Pão cozido a lenha e amor.




José Alberto Sá

Rosas


Rosas

Pela tristeza a flor murchou
Seu fim levado na chuva
Pétalas caídas na água turva
Águas do tempo
Levavam as pétalas como uma caravela
Velas ao vento
Uma rosa amarela
Pela tristeza a flor não ficou
Seu fim… Estava gravado no chão
As pétalas tombadas de uma flor já velha
No meu vergar levei-as na minha mão
Pétalas de uma rosa vermelha
Pela tristeza a flor secou
O fim estava num rosto queimado
Enrugada tremia na brisa leve
Rosa… Rainha de um apaixonado
Flor carinho… Uma rosa branco neve
Pela tristeza a flor me tocou
Comigo deixou, aromas de encantar
Pétalas que amo, não interessa a sua cor
Num beijo, num abraço, no jardim, no mar,…
Serão sempre presentes de amor

José Alberto Sá

Amante de ódio


Amante do ódio

Trapo velho de nódoas gravadas
Tatuado de negrume
Carrasco das teias em si depositadas
Olhar negro, queimado pelo ódio
Pelo ciúme
Vida sem pódio
Trombose moribunda
Doente da alma
Ser maquiavélico que mais se afunda
Perdido na agonia da sua calma
Ser que não sabe perder
Olha somente, porque está cego
Olhar penetrante no inferno a arder
Ferrugem humana no bico do prego
Perverso capataz do nada
Seu riso de impostor, hálito podre
Perdido no tempo, a vida parada
Impregnado de lodo peganhento
Que seu corpo cobre
Numa capa de inveja, ser nojento
Já nem o sono lhe faz companhia
Já nem o dia lhe trás sol
Ser afogado em triste mania
Num mar de ranho de caracol
Já nem as nuvens o podem esconder
Já não me deixa
Somente se queixa…
Perdido em meus escritos, pobre ser
Não gosta mas não me larga,
pobre gueixa
Ser sem farda
Sem amor, sem paz
Mente parva
Coitado de quem assim vive,
infeliz de quem assim faz!

José Alberto Sá