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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pai Nosso...


Pai Nosso...

Senhor... Tu que me conheces
Ouve-me nesta oração
Tu... Rei que nunca me esqueces
De joelhos Te peço perdão
Jamais me arrependo da pessoa que sou
Hoje senti palavras que nunca imaginei sentir
Perdoe-me Senhor por ter errado
Hoje sou a pomba que não voou
Com vergonha do passado
Olha-Me nos olhos... Quero-Te pedir
Perdoa aqueles que ofendem sem saber
E diz-lhes que a verdade é única
Perdoa para que eu fique feliz por ser
O rosto lavado na Tua túnica
As lágrimas que me escorreram
Aliviaram-me da amarga falsidade
Pai Nosso que estais no céu
Perdoe-me pelos que corromperam
Injustamente toda a verdade...
Senti mágoa, qual noiva sem véu
Tristeza sombria, fosso de dor
Frases sem mel, salivares sem amor
Pão Nosso de cada dia nos dai hoje e sempre
A benção ao mundo errado
Perdoe-me Senhor minha semente
Perdoai ao ser obstinado
Perdoai ao pecador do mal em si refém
Perdoe-me por ter sido levado
Amén

José Alberto Sá

Existe sempre salvação


Existe sempre salvação

Olha para baixo e pensa… É o abismo
Sente o ar fresco e pára
Sente o eco da voz que não grita
Autoclismo…
O berro negro que nos descarrega,
numa vida rara.
Raridade dura como a rocha, a dor da brita
O irritado civismo
De quem separa…
Mas não saltes, a luz que ainda brilha
Pode sempre ser tua
Ela é maravilha…
Um azul do céu, uma cor nua
Uma atmosfera que nos inunda
Uma vontade sem relevo… Tontura
Cai, não cai, a mente se afunda
Loucura…
Cascalho na garganta,
uma vontade que pula.
A louca e aterradora gula,
que o diabo encanta.
O fio que nos amarra é a mão
A salvação de não se ter pecado
Uma sensação de bater,
um pulsar de coração
A vida do outro lado
Sente o poder das palavras que não soam
Sussurros de uma voz salvadora
A mão que te segura, olhos que perdoam
Alma sonhadora
A terra nos convida a sermos normais
Nascer e morrer como Deus quer
Mentes racionais
Homem e mulher
Superando a dor, vivendo em amor
O abismo? Para quem quiser


José Alberto Sá

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Sem nexo...


Sem nexo…

Arrepiante!
Com uma coragem desumana
As palavras tacteavam o meu olhar
Frias, não pensadas
Loucura no ar
Foi marcante!
Irremediavelmente impura, insana
Frases pensadas pelo mero odiar
Duras, pesadas e em mim marcadas
Deixando a mentira pairar
Galopante!
Mentiras e desabafos, mero ciúme
Coisas odientas, terríveis
Palavras sem chama, sem lume
Horríveis…
Um instante!
Sinto a aurora de um ser bom,
ciente de que na falha se é mau
Um fácil apontar de dedo sem dom
De uma cara de pau…
Nem amante!
Espezinhada pela luxúria
Mente perversa
Que sem conversa
Errou na fúria
Pena errante!
Penúria, das duras bofetadas
Já esquecidas
Conversas marcadas
Feridas saradas
Em veias perdidas
Dilacerante!
É o pensar miúdo
Mente pequena, em luxo de roupa
Mente perdida, doente e louca
Somente… Eu não mudo

José Alberto Sá

Hipocrisia


Hipocrisia

Nunca quis acreditar
Na pobre e nunca conhecida hipocrisia
Mas naquele dia
Um anjo que conhecia
Me deu esse provar
Que mundo!
Que loucura!
Mares sem fundo
Lua sem cura
Hipocrisia de máscara sensual
Hipocrisia de luxos e falsidade
Tentação carnal
Reflexos num espelho partido
Voracidade
Anjo caído ou abatido
A marca… Pura etiqueta
Na cara uma careta
Uma farsa descapotável
Uma risada de cara pintada
Miserável
Vida de cor verde
Pobre por dentro, bolorenta
Trepando a parede
Numa vontade sedenta
Do nada
Do vazio
Parada
Um pio
Coruja agoirenta
Sozinha
Pobrezinha
Que nem o vibrador aguenta
Todos os dias
Ali…
Mania ou arrelia
Hipocrisia!
Assim a conheci…


José Alberto Sá

terça-feira, 29 de maio de 2012

Porquê?


Porquê?

As palavras ditas por mim eram vontades
Porque me magoas?
Nunca menti…
Todos os gritos que dei eram verdades
Porque não me perdoas?
Olha-me e ouve-me…
Abri o jogo que sempre desabafei
Em palavras e conversas de mim para ti
Jogamos os dois, suspiros que amei
Por isso não me condenes, pelo que não partilhei
Não me acuses pelo que não fiz
Pela viagem que não dei
Pelo amor teu, que não me quis
Negas-me… Não sei a tua razão
Rejeitas-me… Não sei o teu motivo
Magoas-me o coração
E eu sofro por não ser teu amigo
Olha-me e ouve-me…
Sinto o sol sem cor
Sinto o mar sem ondulações
Sinto que ao longe vive o amor
Sinto saudades em mil perdões
Perdoa-me… Não sei porquê!
Porque te peço perdão agora
Mas…
Fala-me, olha-me… Ouve-me…
Olha a minha vontade,
ouve onde meu sonho mora
E cala-me
Com  a tua humildade
Olha-me e vê…
O amor que tenho para ti
Sente…
O sol que no meu peito não se aguenta
O calor que de ti espero
Um amor que de ti sorri
Uma vontade que de ti quero
Um amor que na minha alma rebenta
Vem…
Serei teu refém
Mas ouve o que te digo
Amo-te como ontem te amei
Amo-te como amigo
Amo-te porque quero estar contigo
Amo-te como ninguém

José Alberto Sá

Fogo e jogo, ponto G


Fogo e jogo, ponto G


T ens uma brasa no peito
E nfeitiças o meu jogo
U ma vontade no leito

F ogo onde me deito
O êxtase em forma de fogo
G igante sabor a delírio
O seguimento do aos

É em apertos o martírio

O caos

M esclada mistura, sensação
E m jogos de prazer
U m pulsar, uma penetração

J ogos tacteados
O nde o gemido aparece
G o ponto final, de olhos extasiados
O que me apetece
Amo jogar, o amor aquece
Tal e qual

José Alberto Sá

Homenagem

Homenagem ao escritor/poeta José Alberto Sá.
Salva de prata entregue pelo Sr. Presidente da Câmara de Espinho, Dr. Pinto Moreira.

SALVA: Ditosa terra que tais filhos tem.


José Alberto Sá
27-05-2012

domingo, 27 de maio de 2012

O tempo que sinto


O tempo que sinto

Vivo num tempo,
onde cada pancada eu sinto
Cada batida é pó que se solta
Poeiras fugidias de mim
Fugindo pelo trilho... Lento... Lento
O tempo que não pinto
Trilhos de flores sem jardim
É o tempo dentro de mim
Tempo que passou sem esquecer
Memórias gravadas no pó
Da terra de cor castanha
Que me seca a garganta do apetecer
Tempo sem trigo, sem mó
Tempo de dor na entranha
Vértices cortantes sem pudor
Esquinas oriundas do vazio
Pilares carregados de dor
Equilíbrio sem vara, na ponta do fio
O tempo de agora
Vamos embora...
Vamos à luta...
O tempo não para
Ele nos devora
Como os vermes que comem a fruta
Tempo onde eu vivo e me desvio
Olhando e procurando nunca esquecer
Que no mar navega o navio
Na terra ama o meu ser
O tempo que passa
Um tempo que abraça
Uma vida na raça
Que o tempo quer escurecer
Mas por mim não...
Na minha mão...
O tempo não vai morrer

José Alberto Sá

Naquela estrada


Naquela estrada


Por entre uma lágrima senti
Vontade de brincar às escondidas
Correr atrás de uma bola
Olhando para trás num mundo que vivi
Uma vontade de fazer muitas partidas
Correr e saltar como quem hoje pede esmola
Que bom era ser menino,
levado ao colo
Sorrir, cantar, gargalhar,
mesmo sem ter piada
Hoje... Com esta lágrima, apalpei o solo
O caminho agreste de hoje...
Aquela estrada!
Estrada de sonhos, estrada da terra
Caminho da saudade
Uma estrada que no meu coração berra
Era menino,
eu era verdade!
Esta lágrima que choro e que deixo cair
Não é mais que o medo de crescer
O medo de não conseguir
Ver a minha estrada desaparecer
Hoje...
Apetece-me deitar no meio de ti
Estrada... Que me viu de socas calçadas
Pobre, mas feliz por ter uma estrada mesmo ali
Rico, porque o meu coração,
tem as pedras gravadas
Pedras da minha estrada
Em menino traquinava ausente do mal
Por isso amei aquela estrada asfaltada
Terra impregnada de felicidade
Terra colossal
Terra de amigos, a minha vaidade
Hoje já não corro... Somente caminho
E ao olhar a minha estrada
Vejo todos os momentos nela passados
Recordo os amigos com carinho
Por isso largo esta lágrima gravada
Na saudade de menino

José Alberto Sá

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Retrato pintado


Retrato pintado

Base…
Película aderente em pasta
Grão que altera
Uma face à rasca
Uma ruga
A fuga da imagem
Que é e não era
Miragem
Pintura abstracta
Insegurança
Que a pele mal trata
Desconfiança
De que ser bonita
É não ser fosco
É para quem acredita
Que a menina bonita
É em qualquer rosto
Traço azul, sobre o olho
Lábio carmim
Cativa qualquer mirolho
Mas não a mim
Gosto da simplicidade
A cara sem base
A verdade
Um amor conseguido… Quase
Só assim eu amo
Porque eu adoro
A noite e o dia
E não me engano
No rosto onde moro
Ser natural… pura magia

José Alberto Sá

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Rasgo-te


Rasgo-te

A mente transporta-me,
a ti meu amor
Pára não me faças isto!
A força do pensamento leva-me,
até ti minha flor
Pára…
Eu… Rasgo-te…
Olho o céu azul e a claridade é desejo
Olho o mar e vejo teu ondular
E eu… rasgo-te pelo que vejo
Pára…
Rasgo-te…
Pela vontade de te amar
Se me falas, sinto o sangue correr
Pára não me faças isto!
Se dizes… Amo-te
Sinto uma sensação esquisita
Rasgo-te… Acredita
Rasgo-te…
Pela vontade cravada no meu coração
Por isso pára…
E se te vejo por perto
Sinto o amor liberto
Que bela erupção
E aí…
Rasgo-te como quem abre castanhas
No assador, fogueira em brasa
Rasgo-te pela imaginação de tuas entranhas
Num fogo que me arrasa
Pára, não aguento…
Rasgo-te olhando o horizonte
Como quem mergulha no mar revoltado
Meu unguento…
Rasgo-te para saciar minha fonte
E rasgo-me por estar apaixonado
Por isso pára…
Rasgo-te se me rasgares
Rasgo-me se me levas
Rasgo-te voando pelos ares
Rasgo-me no pecado das tuas trevas
Mas agora… Não pares…

José Alberto Sá

Contigo todo o dia


Contigo todo o dia

Levanto-me para viver
E sinto felicidade
Porque não te esqueço
Pela manhã sou uma nova vida
Sou o sol ao amanhecer
O vento em liberdade
A luz que me é querida
Porque não te esqueço
Caminho de mãos dadas com o pensamento
A água em minha cara me purifica
Olho-me ao espelho e faço juramento
Jurando que te amo… Acredita
Porque não te esqueço
Ao sair de casa, levo-te comigo
Pelo caminho és a minha companhia
Sinto teu cheiro, meu castigo
Oiço tua voz a minha alegria
Porque não te esqueço
Trabalho contigo a meu lado
A todo o instante falamos
E no regresso a casa, sinto-me acarinhado
Por mais um dia que nos amamos
Porque não te esqueço
À noite vem a saudade
Sinto a tua falta e adormeço
Ansioso por acordar de felicidade
Esperando por ti
Porque eu não te esqueço

José Alberto Sá

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dancei com as flores


Dancei com as flores

Nos meus ouvidos a música suava
Melodia que a terra fazia tremer
Aurora no ar pelo som que amava
Em cores perfumadas ao amanhecer
Eram sons da mente em transe…
Voz feminina em canto de capela
A minha incerteza no vou ou não vou
Imaginei-a doce e quis vê-la
Flutuando apareci à janela
Meu olhar se hipnotizou
Eram sons da mente em transe…
No meu jardim todas as flores dançavam
Os lírios baloiçavam ritmados
Os cravos aromatizavam o meu jardim
As margaridas marchavam com os namorados
E toda aquela música vinha até mim
Dançando em transe…
O alecrim tentava o namorico
Os jarros de roupa branca e gravata amarela
Faziam parte do coro, momento rico
E eu delirava junto à janela
Transe em meus olhos…
As tulipas de saia de roda me encantavam
A voz de uma menina, chamada rosa
Era agradecia todos os que a amavam
E ela sabia, estava vaidosa
Em transe de amor…
O meu jardim me transportava para o sol
Saí da janela e quis também dançar
Que belo e doce canto do girassol
Que com a rosa cantava, voz de tenor
Abri a porta… E nada!
Estava a sonhar
Em transe…

José Alberto Sá

Pacto não...


Pacto não…

Sangue…
Querias fazer um pacto
Saímos de mãos dadas pelo caminho florido
Mas de facto...
Um pacto pode ser algo sofrido
Uma jura ou mentira
Uma vontade que talvez…
Uma dádiva ou algo que me tira
O sangue da veia, a jura que não vês
Pacto até à morte
O infinito querer no futuro
Uma carta, azar ou sorte
Uma sina que atravessa ou não, o muro
Pacto de sangue, união
Jura ao sol, jura na lua
Palavras juradas, alguma razão
Em vontade vestida, por vezes nua
Nua de imaginação
Pobre pacto que não existe
Jurar é mentir, ornamentação
De uma vaidade que não resiste
A um mundo de ilusão
Pacto sem sentido
Pacto sem verdade
Sangue por se ter mentido
Então… Sangue não
A vida é simplicidade

José Alberto Sá

Desapertada


Desapertada

Foi no desapertar do botão
Que te toquei devagar
A curiosidade de descobrir
Sentir o bater do teu coração
Sentir o teu respirar
Olhar teu peito e sorrir
Foi no desapertar do botão
Que senti o volume do amor
Estavas quente
Sentia vindo do teu corpo o odor
A fragrância que alimenta minha mente
O teu olhar seguia meu tactear
Beijei teu umbigo
Mais um botão a desapertar
E…
O mais belo castigo
Foi no desapertar do botão
Que soltas-te um gemido
Ergues-te a cintura
E…
Ficas-te frágil… Que linda visão
E sem botão,
tudo era apetecido
Abracei-te, numa deliciosa mistura
Foi no desapertar do botão
Que o sol amou a lua
Essências e corpos em combustão
Estavas nua…
Hilariante lava incandescente jorrou
No desapertar de um botão
Que ao amor nos levou

José Alberto Sá

terça-feira, 22 de maio de 2012

Deixem-me sozinho


Deixem-me sozinho

Deixem-me…
Já não faz sentido
Olhar as horas
Espreitar à janela, olhar o vazio
O relógio parou à janela onde moras
O céu perdeu a cor, a neve trouxe o frio
Deixem-me…
Já não importa se faz vento
As ruas podem entupir, eu já não passo
Sou uma folha morta, parada no tempo
No chão frio e molhado, o meu fracasso
Deixem-me…
Já não preciso esperar
Que o dia nasça para minha alegria
O meu sorriso enregelou
De tanto acreditar…
Meus lábios brancos, sedentos, são alergia
Urticações de um amor que passou
Deixem-me…
Já não quero saber
Que dia é hoje, se grito em pranto
Se amanhã o dia me espera
O amor é a vontade, o meu querer
Já não sei se me levanto
Corpo de um inocente destemido
Pobrezinho…
A vida já não é o que era
E já não faz sentido
Deixem-me… Sozinho

José Alberto Sá

Acredita em mim


Acredita em mim

Por vezes sinto frio, quando o sol brilha
O escuro por vezes me invade, mesmo de dia
A luz por vezes me cega, mesmo apagada
É a sensação de vazio
Não há maravilha…
Não há alegria…
Não há madrugada…
É o frio
Por vezes o céu azul, não tem cor
O mar por vezes bravo, não tem maré
O amor por vezes intenso, não tem lume
É a sensação da solidão
Não há amor…
Não há fé…
Não há queixume…
É a dor do coração
Por vezes nem os rios sabem correr
As árvores por vezes adultas, não têm folhas
Os pássaros por vezes não cantam, soltam um leve pio
É a sensação da ausência
Não há o querer…
Não há amor quando me olhas…
Não há brio…
É a dor transformada em paciência
Por vezes queria rir, mas uma lágrima rebenta
Os soluços me invadem, rebentando meu peito
Por vezes de olhos abertos, queria não ver
É a imperfeição da vontade
Não há alma que aguenta
Não há jeito
Não há sangue em meu ser
É a falta da tua sinceridade
Em acreditar em mim de verdade
Então…
Não existe explicação
Simplesmente vejo,
um não
O teu desejo

José Alberto Sá

Abraço de verdade


Abraço de verdade

O

A braço é sentido
P róximo e amigo
E leva a alma
R esponde na calma
T ece corações
O lha emoções

A braço é magia
M el adocicado
I rmandade e abrigo
G esto educado
O aperto do amor

E seja quem for

V ale pelo abraço
E le nos liberta
R epõe energias
D ádiva ou laço
A porta aberta
D ilúvio de alegrias
E le é o preço do que sou
I rmão da verdade
R azão do abraço que vos dou
O abraço da minha amizade

Para todos os meus amigos verdadeiros
Os outros serão ou não

José Alberto Sá

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Existem dias assim...


Existem dias assim…

Naquele dia à beira mar
As gaivotas gritavam pedras
As ondas revoltadas traziam arame farpado
Naquele dia, sentia na areia os pés dilacerar
Os gritos ecoavam por entre as ervas
Choro de alguém perdido e tresloucado
Naquele dia…
As rochas íngremes tombavam no chão
Assim as via no meu desmaio
Sensação provocada pela demolição
Um sofrido e magoado coração
Demolido e desmoronado, o fogo de um raio
Naquele dia…
Brasas fumegantes morriam na maré
Uma visão horrenda que eu não queria
Facas de gumes afiadas diluíam minha fé
Sentimento fraco por tudo que perdia
Naquele dia…
A água salgada salpicava-me de feridas
Ácidos corrosivos em meu pensamento
Lágrimas cortantes escorriam nas faces sofridas
Agressões de medo, vindas no vento
Era o meu dia de turbulência
Um dia onde não conseguia ver as horas
As nuvens tapavam o sol da minha inteligência
E a desorientação veio sem demoras
Naquele dia…
Estava perdido por algo não apetecido
As vozes que procurava não tinham alegria
Procurei-as no mar, também ele perdido
Ficando a meu lado num abraço de maresia
Choramos os dois…
Naquele dia…

José Alberto Sá

Papagaio de papel


Papagaio de papel

Voei no papagaio daquela criança
Feito de palhinhas do caniçal
Jornal velho, de notícias sem esperança
Que me levaram à terra do bem, vizinha do mal
Atravessei os ventos da madrugada
Libertei os orvalhos da manhã
Aromatizei com flores a terra abençoada
Rezei pelos povos, pelo dia que não há
Não há razão, para voltar do meu voar
Quero continuar esta vontade
Voar… Voar e no papagaio de papel sonhar
Com um regresso, descendo em liberdade
Puxa menino o cordel que seguras
Eleva-me mais alto nesta viagem
Levo comigo mil cartas, quantas curas
Amores e encontros, quantas procuras
Quantos beijos e abraços levo na aragem
Corre menino pelo campo, contra o vento
Consigo ouvir o teu sorriso
Enrolas o cordel numa corrida contra o tempo
E me sobes ao céu no momento preciso
Puxa menino do papagaio
Corre pelo mundo da inocência
Sem vento, sem amor… Caio ou não caio
Puxa menino do papagaio
Corre pelo mundo da paciência
E quando recolheres o teu brinquedo
Verás notícias boas no teu jornal
Fui eu que as trouxe sem medo
Ao mundo da mentira, o mundo real
Puxa menino o teu cordel
Enrola devagar a tua consolação
Guarda no coração o teu papagaio de papel
Um dia te recordarás que no céu foste rei
Príncipe num mundo que é ilusão
Que hoje aqui recordei

José Alberto Sá

Cor-de-rosa


Cor-de-rosa

Era rosa a cor do teu vestido
Ficava-te bem
Imaginei-te a bailar,
em contornos provocantes,
o meu alarido
E vontades mais de cem
Em suma…
A hipnose dos meus olhos, só de olhar
Imaginei-te um flamingo, tua elegância
Ave doce, de plumagem real
Imaginei-te num beijo, minha ganância
Menina cor-de-rosa, de vestido formal
Quis abraçar-te e sentir teu calor
Teus olhos me chamaram, eu vi
Quis amar-te, fazer amor
Tua boca me chamou, eu senti
Suave pluma…
Senti minha face na tua e quis absorver
Todo o teu perfume,
naquele instante
Senti a tua respiração, como se fosse um queixume
E ali quis ser teu amante
Suave espuma…
Estavas linda, menina cor-de-rosa
Perfeita, suave, como plumas à luz do dia
Ondulante como palavras em prosa
Cativante como palavras em poesia
Tu és, só uma…
Menina cor-de-rosa, de puro apetecer
De ciúme singelo, de um amar arrepiante
És o meu flamingo que não irei esquecer
És a pluma poisada na minha estante
Tom de rosa e perfumada
Menina do mar, gravada na lua
Vestida de rosa, apaixonada
Flamingo a voar e eu a sonhar
Contigo na praia, amando-te nua

José Alberto Sá

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sou pobre


Sou pobre

Terra
Cavada
Terra
Amassada
A dor da enxada
Que grita…
… Grita danada
Aflita
Cravada
No rego do desejo
Terra
Semeada
Fruto que não vejo
Terra
Terra
Sem dó
Terra na mó
Semente
Nascida
Pele curtida
Terra sangrenta
Picos de rosa
Na mão calosa
Terra nojenta
A luta do grão
Terra…
…Terra bravia
Que nos consome
Procura do pão
Na minha alergia…
É o outro come
Minha terra…
… Terra pobre
Mar e serra
… Terra nobre

José Alberto Sá