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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A chave


A chave


A chave penetrou na fechadura

Eu ouvi...

O tilintar suava na mente pura

Eu senti...

A porta abriu

Mil desejos pedi.

De novo a porta se fechou

O céu existe... Pensei

A chave de novo penetrou

Meu rosto sorriu

A chave desandou... Acreditei

O mar é meu... desejei

Fiquei quieto, no tempo sem horas

Ouvia o bater do tacão

Eu sonhava em campos de amoras

Parou!

Corri sem sair do lugar

Tropeçei sem tropeçar

Meu coração disparou...

Uma luz apareceu sorrindo

Mulher! Menina! Beleza!

Levantei-me

Tudo aconteceu...

Igual ao abrir a porta da vontade

Na fechadura dos desejos

Com a chave do amor

Verdade...

No meu jardim... Uma flor


José Alberto Sá

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

No acto...


No acto...


Os lençóis estavam retirados

O seu ondular era marcante

Enrugados, aos pés da cama

Amarrotados...

No ar um pensamento picante

A vontade que desarma

A sede de beber

A fome do apetecer

A imaginação que nos liberta

Seria a porta aberta

Ou a janela fechada

A luz acesa ou apagada

Reflexos de um lençol

Traços de movimento

Fresco aviso do aquecimento

Do acto em anzol

Preso pela boca

Preso pelas escamas

Nas ondas imaginárias sem roupa

Num lençol onde o desejo derramas

...

Os lençóis estavam retirados

Numa pura imaginação

Mentes perversas de saciados

Lençóis de uma canção

Retirados pela mágoa do calor

Amarrotados pelo deslizar do queixume

Lençóis de louco amor

Nas descidas e subidas em lume

...

Retirados ao fundo da cama

Sujos e desnudados

Deslizados pela humidade em chama

Lençóis de luz, apaixonados


José Alberto Sá

Vinde


Vinde


Vinde ver as palavras que escrevi

Vinde ver como sabem dançar

Palavras que hoje conheci

Vinde ver como são belas

As palavras do meu embalar

Deslizam nas linhas como caravelas

Na linha do horizonte do meu mar

Vinde ver cada letra

Bailados da minha caneta

Nas linhas do meu olhar

Vinde ver como sabem dançar

Palavras como o amor

Que dançam como as borboletas

De flor em flor

Vinde ver como nasceram

Vinde e saciai-vos de seu perfume

Assim me conheceram

E me levaram até ao cume

Vinde ler esta paixão

Palavras de um poeta

Palavras do meu coração

Vinde… Deixei a porta aberta

Para vos dar a minha alegria

Pensamentos e vontades

A minha poesia…

Verdades


José Alberto Sá

Diz Senhor...


Diz Senhor…


José?

Uma voz me chamou…

Senti no escuro do quarto… Companhia

Olhei para o vazio

Senti… Que alguém me acordou…

Senti um chamamento… Harmonia

Fiz silêncio… Senti um arrepio

José?

Alguém punha à prova, minha fé

Não tive coragem de acender a luz

Tinha medo que fosse Jesus!

Estava imóvel… quase sem respirar

Meus olhos procuravam um sinal

José?

Tornaram a chamar

Voz suave, num sussurro de cristal

Senti O seu aproximar

Tive medo… Medo da noite, medo do dia

Senti o seu chamar

Senti-O tão perto… Era tudo que queria

José?

Aquele nome não parecia o meu

Aquele nome parecia vindo do céu

Aquela voz que me chamava

Era de alguém que me olhava

Ganhei coragem e acendi a luz

Na minha frente, estava Cristo na cruz

Alhei-O fixamente

Pedi para que me chamasse novamente

Senti naquele momento calor

Mas não me chamou

Senti naquele instante o seu Amor

Sabendo eu… Que foi Ele que me amou

Rezei a agradecer o seu coração

Estendi para Ele os meus braços

A vontade de cada mão

Ouvi e senti… Naquela noite

Os seus abraços

Num aperto de irmão


José Alberto Sá

domingo, 29 de janeiro de 2012

Livro

Autor: José Alberto Sá
Editora Papiro
Título: Quercus Suber, Segredos do Corpo e da Essência
Romance

Dia 25 de Fevereiro, pelas 15 horas
Na Biblioteca José Marmelo e Silva em Espinho.

Eram e são


Eram e são


Eram naus, as nuvens que me levaram

Eram pássaros, as folhas que caiam

Eram ventos, os sorrisos que me amaram

Eram tempos, as horas que me sorriam

Eram tantos os sonhos…

Em nada medonhos

Eram estrelas, a luz do meu olhar

Eram a lua, as vontades de sonhar

Eram o sol, os beijos de desejo

Eram o mar, os carinhos onde me vejo

Eram tantos os caprichos…

Que em nada eram lixos

Eram perfumes, os sussurros da minha boca

Eram Mãos, as carícias do meu falar

Eram toque de magia em ti, menina louca

Eram o rio, meus pés a caminhar

Eram tantos os pensamentos…

Em nada ciumentos

Eram areias, as vezes que te amei

Eram ondas, os abraços que te dei

Eram a chuva, a vontade de um beijo molhado

Eram fogo, se te olhava apaixonado

Eram tantos os caminhos…

Em nada sozinhos

Eram músicas, os beijos na minha dança

Eram melodias, os sonos dormidos contigo

Eram cristais, os sentimentos de criança

Eram ouro, deitar-me no teu umbigo

Eram e são…

Se me deixares continuar…

De coração…

Amar… Amar… Amar


José Alberto Sá

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Quando choro


Quando choro


Uma lágrima translúcida caiu

Uma lágrima salgada escorreu

Uma lágrima de sofrimento

Que de meus olhos saiu

Me fez lembrar quem sou eu

Numa lágrima guardada no tempo

E que ao cair... Sorriu

Uma lágrima... E mais uma...

Uma lágrima de esperança

Uma lágrima do meu olhar

Uma pluma...

Uma criança...

Muito amar...

Uma lágrima que te procura

Uma lágrima que libertei

Uma lágrima suave

Uma loucura...

Uma voz que chamou, porque amei

Uma chave...

Chorar... Uma lágrima por vezes feliz

Uma lágrima de gratidão

Chorar em poesia... Uma raiz

Uma lágrima... Pela emoção

Coração...

O achado do meu olhar

Olho azul esverdeado

Uma lágrima, meu ressuscitar

Uma lágrima do teu amado

O amor onde moro

É uma lágrima quando choro


José Alberto Sá

De novo...


De novo…


O sol regressou brilhando no mar

As ondas rebuliças pareciam de prata

Oh meu sol… Que menina grata

Que iluminaste em teu abraçar

Sol da minha tertúlia, meu rimar

Sol da minha canção do meu amar

Braços de calor que me penetraram

Aquecendo meu sonhar

Nas ondas que me elevaram

Ao sol… Ao mar…

À menina meu par

Até o vento quis ver

Até a maré me espreitou

Até as árvores queriam ser

Até o céu me copiou

Foi… Foi o envio do sol

Em braços de mil cores

Sorrisos de espuma sobre as rochas

Abraços de perfumados sabores

Candeias acesas, o milagre desse dia

De acesas tochas

De amor e carinho que me apetecia

Até a vida me perguntou

Até o tempo saiu apresado

Até o silêncio queria saber quem sou

Sou eu… Sou eu um apaixonado

Até Deus me acalmou

Até eu… A Ele agradeço

Saber que a vida regressou

De uma vontade…

Que na verdade, não sei se mereço


José Alberto Sá

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma linha


Uma linha


M emorizo tempos

E squemas da vida, pensamentos

U m crivo de vontades


L embranças do passado

E speranças no futuro

M omentos existentes em qualquer lado

A mbições de um corpo que aturo


M eu lema

E mblema ou meu brasão

U m esquema


E nlaces do meu coração

S alpicos de um mundo esquisito

Q uantidades sem conteúdo

U ma vida na qual acredito

E lementos herdados de miúdo

M emórias que preservo, meu esquema

A mor pela escrita, meu lema


José Alberto Sá

Sou um menino


Sou um menino


S em saber cresci…

O ntem era pequenino

U m menino, uma estrela que sorri


U m rapaz, um hino

M imado e feliz


M inha mãe é quem o diz

E u somente continuo a ser…

N amorado da criança

I rmão das brincadeiras

N atural como a dança

O divertido sem barreiras


A manhã continuarei

D ando sorrisos de bebé

U ma criança que amei

L embrando na minha fé

T empos de um Deus que amou

O menino que sou


José Alberto Sá

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

17-01-2012 "Dia de dor"


17/01/2012 “Dia de dor”


Porque me colocas à prova?

Senhor!

Se nada consigo provar

Se nada consigo mostrar

Pensas que sou forte…

Não sei…

Somente não consigo aguentar…

Chorei...

Porque na prova que me deste

Tiraste-me a sorte

Senti-me um louco, sem saber

Queria somente que o tempo não levasse

A vida que em minhas mãos puseste

Um anjo em meus braços, sem eu saber

Um momento de dor, que quase me enlouqueceu

Porquê Senhor? Porque não eu…

Ouve Senhor…

Não vou aguentar segunda vez

Amo demasiado a pessoa do meu lado

Somente existe amor

Não existe uma vida em talvez…

Deixa-me chorar mais um bocado

Senhor…

Amo de louco a perfumada companhia

Amo de louco a flor que me habita

Amo de louco a mulher, minha guia

Amo-a de louco Senhor… Acredita

A prova é a dor imensa

A prova é o momento da impotência

O amor por vós é o que compensa

Mas ela não Senhor… Clemência

Ajuda-me neste passo

Mereço sofrer porque sou pecador

Mas ela Senhor… Não!

Ela é puro amor

Não me faças chorar mais Senhor

Não aguenta meu coração

Perdoa-me se falhei

Perdoa-me e me castiga

Recupera-a para mim e a receberei

Amá-la-ei de noite e de dia

Escolhe-me eu te sigo

Leva-me eu te acompanho

Senhor… Ela tem um filho, lindo e amigo

Eu me troco por ela em teu rebanho


José Alberto Sá

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Meu corpo, meu pensar


Meu corpo, meu pensar…



O pensamento pecador


M eu raciocínio meloso

E mbebido em teu sabor

U m pecado vaidoso


N éctar da minha vontade

É uva que espremo

C éu do sol… Claridade

T entações que não temo

A mor… Seiva e essência

R iachos da minha potência


A lma apaixonada


M escla do meu perfume

I nfante do erotismo

N ativo em meu lume

H ino de puro civismo

A ambição adulterada


S altimbanco das fragrâncias

E mblema dos seres

I mpio das tolerâncias

V ulva de prazeres

A tlas sem meridianos, sem distâncias


José Alberto Sá

domingo, 15 de janeiro de 2012

Olhai as folhas


Olhai as folhas


Olhai as folhas desta poesia

Sim as folhas!

Não vêm as folhas desta magia?

Sim as folhas!

Eu faço folhas nas flores das letras

Eu faço folhas quando escrevo

As flores em poesia todos fazem

As folhas faço eu

Pinto-as com minhas canetas

A elas dou vida se me atrevo

...

Faço com que as folhas se casem

Com as flores do céu

É a minha poesia...

Olhai esta folha que fiz

É uma folha de verde destino

Ela no papel dança, é alegria

É vida da copa à raiz

Folhas que imagino

...

Na beleza da poesia... Alma

Folhas e flores em mil cores

O meu desabafo, a minha calma

Amores...

Olhai as folhas pintadas por mim

São essências perfumadas

São perfume do meu jardim

São folhas... As folhas invisíveis

Minhas amadas

Folhas apetecíveis

...

Olhai... Penso que as sentiram

Não existem flores sem folhas no meu poetizar

As flores sois vós que me admiram

As folhas sou eu, quando escrevo para amar


José Alberto Sá

A visita


A visita


A chuva era fria

A voz... Essa estava rouca

Os pés brancos doíam o meu olhar

Tremer... Sem chorar

Era o que ele fazia

Seu corpo quase sem roupa

Faziam seus dentes bater

Seus olhos olhavam-me querendo

Suas mãos queriam tremendo

E eu...

Olhava enlouquecendo

Com vontade de muito fazer

...

Levei-o para minha casa

Roupa lhe ofereci

Com uma toalha o enxuguei

Senti no corpo, uma asa

Foi tudo o que senti

No tempo que devorei

E eu...

Já nem sei... Se eram asas onde toquei

Se o sorriso que via...

Vinha transportado nas palavras em magia

Se era um anjo? Não sei...

Sei que sentia alegria

Ali junto à lareira...

Uma mão se estendeu

Uma luz entrou pela janela

E a mim se ofereceu

Um anjo!

Um anjo que voava na luz mais bela

Um anjo que me sorriu

E ali ao céu subiu!

...

O mendigo era eu olhando sua mão

O anjo é a luz da minha felicidade

A luz... A vontade do meu coração

Deus em minha casa é uma verdade


José Alberto Sá

Ele é... Eu sou...


Ele é... Eu sou...


Olhei para cima...

Tanto tempo!

No silêncio demorei o meu olhar

Quanta estima...

Que nem a brisa do vento

Me fez parar de rezar

...

Olhei sem evitar

O tempo não contava

E a brisa... Era-me familiar

Sentia que sonhava

Estava feliz

Olhava para cima e sorria

Foi assim que eu quis

Ele era a minha alegria

...

Olhava-O quase sem respirar

Queria ouvi-Lo

Queria senti-Lo

Queria-O amar

Queria que Ele soubesse

Que no meu silêncio tudo Lhe dizia

Que me enaltecesse

E me alimentasse sabedoria

...

Olhava para cima... Senti

Olhava para cima... E recebi

Luz...

Uma luz que me iluminou

Vindo da cruz

E me abraçou

...

Olhava para cima a orar

Pedi-Lhe perdão

Senti-o tocar

Senti-O em meu coração


José Alberto Sá

sábado, 14 de janeiro de 2012

Luxúria e avareza


Luxúria e avareza


Alta-roda, luxúria decapitada

Dinheiro, que no pobre é nada

Casino em tolerante girar

Rico no convento do decapitar

Casaco de peles

Dos pobres animais indefesos

Gente reles

Pobres em carinho... Na vaidade presos

Devoradores da tecnologia

Tudo pode… em mentes de avaria

Comida do pomar da malandrice

Gula sem meiguice

Sem pena de quem não tem

Do povo sem vintém

Sorrisos rasgados

De podres ocultados

Risadas danadas, vincadas

Do não saber

Do não querer

Somente ter...

Quantos se contam no riso

Quanto se gasta sem juízo

Em prejuízo da avareza

Tristeza...

Gente afortunada

Sem nada, sem saber que a vida...

É amada

Só o pobre em Deus sabe crer

...

Se és... Pensa e reparte

Viverás na felicidade

Isso é saber... É arte

Viverás em Deus... A igualdade


José Alberto Sá

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tu és...


Tu és…


Tu és o ar que me faz sentir

O céu é o teu rosto aveludado

As árvores a tua elegância

As flores o teu sorrir

O mar é o meu sentir abraçado

A areia é toda a tua importância

Tu és o meu viver...

As joaninhas são a tua cor

Os pirilampos a luz do teu carinho

Os pássaros o teu bailar

As nuvens belas, o teu amor

O sol é o teu beijinho

A lua o teu amar

Tu és tudo para o meu ser…

As crianças são a tua inocência

A chuva é a tua pureza

O silêncio a tua paciência

O amor a tua certeza

És tudo para eu agradecer

Tu és o ser que me faz flutuar

… Amar…

Tu és a perfeição

… A minha paixão…

Tu és o meu dia, meu mês, meu ano…

… Te amo…

Tu és a voz que me acalma

Tu és a razão do meu sorriso

Tu és a leveza da alma

Tu és quem preciso

Tu… Que me acompanhas

És o céu, o mar e as montanhas


José Alberto Sá

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vergonha


Vergonha


Conseguia ver-te e sentir

Conseguia olhar-te a sorrir

Conseguia fazê-lo sozinho

Conseguia sentir o quentinho

Da luz que irradiavas

Conseguia fechar os olhos e sonhar

Conseguia sentir se lá estavas

Sem abrir os olhos de chorar

...

Conseguia...

Tinha sonhos e essa mania

Sonhava que tudo sorria

Mas...

Só lá estavas e...

Nem um pouco me olhavas...

Para que eu te acenasse

Conseguia que meu coração

Batesse em revolta

Conseguia imaginar tua mão

Fazendo-me um carinho

Mas... Sozinho...

Só queria a tua volta

...

Tu... Não me ligavas

Conseguia cheirar teu perfume

Mesmo estando distante

Conseguia arder sem ter lume

Conseguia ser teu amante

Sozinho...

Nem um pouquinho

Me recebeste

Nem um pouquinho

Me quiseste

Mas...

A vergonha não é tua

É minha...

De uma vontade nua

Do medo da rejeição

Mas... Olha só um pouco...

Se quiseres... Vem...

Dá-me a tua mão

E sente a vontade de um louco

De coração


José Alberto Sá

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O medo...


O medo...


Ouvia o vento e sentia medo

As folhas pareciam voar

As árvores vergavam-se sobre nós

E nós... Que toledo...

Só queríamos rebolar

Sermos o milho, apertado pelas mós

O vento era minha vontade

Para que te agarrasses

As árvores a continuidade

Para que me amasses

...

Ouvia o rio a correr

Ouvia alguém a gritar

As nuvens escureciam

E nós... Sem saber

Não víamos o rio passar

Não ouvíamos o tempo acabar

Nossos corpos nada conheciam

...

Estava na floresta encantada

Que me parecia um deserto

Unido... Vi o sol na minha namorada

Ouvia o vento no sussurro do aperto

As folhas voavam sobre nós

As árvores eram braços do toledo

O rio eram suores movendo as mós

As nuvens eram o sonho

Um sonho sem medo

...

As árvores, as folhas e o vento

Foram testemunhas do amor

Com medo, sem medo do tempo

Num rio de vontades e calor

O som do gritar

Grito que se ouviu

Foi um momento de amar

Do medo, sem medo que surgiu


José Alberto Sá

domingo, 8 de janeiro de 2012

Mãos que agarram


Mãos que agarram


Olhei as mãos enrugadas!

Meus calos sabiam e conheciam

Toda a dureza

Olhei as mãos cortadas!

Meus olhos sabiam e não dormiam

Pela tristeza

Olhei as mãos, orgulhoso

Mãos de mil trabalhos

De um tempo vaidoso

De caminhos e atalhos

...

Minhas mãos... Minha alegria

Seus calos são virtude

Seus cortes são saúde

Mãos de trabalho e magia

Olhei as mãos e erguias

Em agradecimento oferecias

Ao tempo de outrora

E... Sem demora

Pedia para trabalhar

Num tempo que se devora

De mãos sem nada para dar

...

Olhei as mãos... Tudo era meu

Senti minha alma vaidosa

Pelas mãos erguidas ao céu

De pele cortada e calosa

Mãos de trabalhar

Ontem, hoje... São o que vês

Mãos prontas a transpirar

Mãos prontas a lutar outra vez

Num amanhã...

...Talvez


José Alberto Sá

Meus amigos


Meus amigos


A migos do meu coração

M inha luz sois vós

I luminais meu céu, meu chão

G lorificais palavras minhas sem voz

O nde estais eu vos sinto

S ois em mim, as palavras que vos pinto


S ois dádivas do meu tempo

O ndas de prazer

I luminais se vindes no vento

S ois luz de todo o meu ser


O brigado pelo vosso coração


S ois paz e tranquilidade

O nde estais, sinto-vos amados

L iberdade, carinho em vós não tem idade


Sois os meus iluminados


José Alberto Sá

sábado, 7 de janeiro de 2012

A pomba


A pomba


O velho estava sentado

Lindo dia... Mas parado

Sem vento, sem pó

A luz...

Que eu via no seu olhar

Eram reflexos da sua cruz

Lágrimas de um recuar

A luz que em si pousava

Era o sol de outros dias

Um sol de um tempo

Que lembrava

Tristezas e alegrias

...

A sua sombra no chão

Era mais escura que eu

Tempos sem pão

A luz?

É Deus que me preenche,

vindo do céu

É Jesus...

...

O tempo não pára, já não consigo

Olhar o sol e a sombra

Disse-me o velho:

- Senta aqui... Amigo

Eu sou o espelho

Olha a luz... É uma pomba

...

A luz...

Que nos ilumina passa

A sombra é quem nos persegue

Mas Já não conta, o tempo disfarça

- Tu... Vive na luz e dela bebe

...

Levantei e olhei a minha sombra

A luz que me iluminava

Era uma pomba

E o velhinho já lá não estava


José Alberto Sá