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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Canto


Canto


Canto...música de noite e de dia

No canto...da minha sala de estar

Canto...como um pássaro, melodia

Nos encantos de minha voz, de mal cantar

Canto ou esquina, o meu encanto

Onde te oiço, menina a cantar

Cantas de xaile ou de manto

Meus poemas de amar

O canto de minha sala, tem segredos

O canto dos pássaros são tua voz

E eu me encanto,

no canto da minha sala, se estamos sós

Canta, tua garganta fervilha

Me encanta no canto ou na esquina

Eu me encanto com tua maravilha

A cantar no canto que é nossa sina

Tenho um canto menina

Tu tens um canto, belo e suave

Na sala o canto é armadilha

Onde me prendes como uma ave

Encantos, cantos, minha mania

Encantos e recantos...labirinto

Palavras de canto e poesia

Palavras que canto no meu canto

Da minha sala vazia


José Alberto Sá

Adormecer


Adormecer


Adormeceste em meus braços

Não te quis acordar

Olhava para ti, admirando teus traços

Com vontade de te amar

Adormeceste, deixaste-me pegar

Pegar em teu rosto e adorá-lo

Olhos fechados, teu respirar...

Olhar meu desejo e devorá-lo

Dormias profundamente

As estrelas te iluminavam

Eu estava contente

O brilho dos meus olhos te clareavam

O teu sono...sonho meu

Quanta vontade de te beijar

De acariciar...corpo teu

De te acordar e nas estrelas do céu

Te amar...

Adormeceste e teus lábios sorriam

Desafiavam a minha liberdade

De cor vermelha, tudo pediam

Juntar os meus à minha vontade

Tive medo que acordasses

Não queria perder cada segundo

Sonhei acordado, que me beijasses

No amor que sentia, o maior do mundo

Adormeci contigo, meu amor

e quando acordei, estavas comigo em flor

E agora sei

Que tudo que senti, foste tu que quiseste

E tudo que desejei no teu acordar

Foi eu acordar, quando adormeceste

E adormeceste para eu sonhar


José Alberto Sá


Ser feliz...


Ser feliz…


Quantas vezes caminhei,

sobre areias movediças

Quantas vezes o mar me assustou

Quantas vezes vi portas, sem dobradiças

Quantas vezes a chuva me inundou

Se sou feliz? Sou…


Quantas vezes o abismo é mesmo ali

Quantas vezes a pergunta, não tem resposta

Quantas vezes no labirinto me perdi

Quantas vezes tudo se perde, numa aposta

Se sou feliz? Sou…


Nas areias movediças, tive de rastejar

No mar, debati-me e devorei, ondas gigantes

Nas portas sem dobradiças, tive de entrar

E abrigar-me das chuvas arrepiantes

Se sou feliz? Sou…


Nos abismos eu voava ou tentava!

Das perguntas sem resposta, eu calava

E perdido em labirintos, eu esperava

Não pela aposta, mas pela resposta

que ninguém me dava

Se sou feliz? Sou…


Tudo se resume a problemas

Tudo se resume a obstáculos

Resolver é sempre um dilema

E por vezes não há solução,

são imensos os tentáculos

Se eu sou feliz? Sou…


A vida é mesmo assim…

Problemas todos temos…

Não vieram só para mim

Estamos todos no mesmo barco

Por isso…rememos

Se sou feliz? Sou…

E tu?


José Alberto Sá

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sozinho


Sozinho


Esqueci...

Perdoa-me, mas não vi...

Esqueci tudo, mente vazia

Nada sei...é noite ou é dia?

Esqueci o teu nome,

como te chamas?

Eu sabia, mas já não sei

Será que me amas?

Eu...esqueci...

Será que te amo? Ou amei?

Quem és tu? Que vives comigo.

Quem és tu? Que me dás de comer.

Quem és? Que me dás abrigo.

Que minhas roupas passas a ferro

Que não me deixas sofrer.

Perdoa-me...eu não quero

Eu só me esqueci...de tudo

Eu vivo sozinho e esquecido

Nada tenho, nada mudo

Nada me é apetecido

Eu me esqueci...de ontem

Perdoa-me...meu Deus

Por me ter esquecido...quem sou

Eu esqueci...até os meus

Porque fui abandonado,

por quem não me amou

Esqueci de tudo, já nem sei sofrer

Só amei minha fada do lar...eu

Para roupa passar, fazer o comer

Me dar abrigo, me aconchegar

Mas...eu esqueci

Eu...não escolhi, este esquecimento

é o meu isolamento, vida de réu

Eu só me esqueci...da vida na terra

Mas lembrarei, na vida do céu


José Alberto Sá

Nós e o amor


Nós e o Amor


A paixão

de meu coração…é amor

O pensar

de minha consciência…é amor

O coração

de meu querer…é amor

O amar

de minha vontade…é amor

A união

de meus amigos…é amor

A saudade

de meus queridos…é amor

A criação

de Deus…é amor

A esperança

de renascer…é amor

O transformar

de mal em bem…é amor

Tudo é amor

se vier de dentro de nós

Tudo é paixão

Se não pensarmos só em nós

Tudo é de coração

Se o tirarmos de nós

Tudo é amar

Se o dermos de nós

Tudo é união

Se unirmos o amor em nós

Tudo é saudade

Se ninguém estiver para nós

Tudo é criação

Se Deus estiver no meio de nós

Tudo é esperança

Se acreditarmos em nós

Tudo é transformação

E essa, somos só nós

Somente…

Nós


José Alberto Sá

Renovação


Renovação


As árvores renovam as folhas verdes

O mar renova as areias, que brilham

O tempo ergue as paredes

Dos templos que nos maravilham

O vento poliniza as plantas e lindas flores

As nuvens renovam-se de chuva

A paixão se renova de amores

Como se renova o vinho, vindo da uva

As serras renovam a verde natureza

Os rios renovam as águas, em direcção ao mar

As mulheres, a renovação da beleza

Os homens se renovam para amar

As grutas renovam as estalactites

Os pássaros renovam o voar

O pensamento renova apetites

A vontade renova o lutar

A criação é renovada em cada segundo

A saudade é renovada pela partida

A esperança é renovada, no querer do mundo

O sofrer é renovado na despedida

A alegria é renovada com a chegada

O amor é renovado pelo coração

A felicidade é renovada, pela pessoa amada

Os amigos são renovados, pela união

É o mundo em constante renovação

É a vida em constante movimento

Ser feliz não é opção

É seguir com amor, a vida e o tempo

Me renovo a cada instante

Me sinto renovado a cada momento

Inspiro-me numa vontade triunfante

De renovar o pensamento

Tudo se renova?

Uma ova!

É preciso querer

É preciso crescer

É preciso ser

É preciso ter

Vontade de renovar

e de transformar, tudo que está mal

Deixar o que está bem,

na sua beleza natural


José Alberto Sá

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ser eu...


Se eu…


Se eu tenho vontade

Eu subo montanhas

Procuro a liberdade e a verdade,

no mais profundo das entranhas.


Se eu quero vencer

Eu atravesso o mar

Procuro o querer, procuro o meu ser,

no mais profundo do amar.


Se eu quero mais

Eu procuro no infinito

Procuro Jesus, os poderes mais reais,

em quem acredito.


Se eu quero amor

Eu não procuro, tenho a certeza

Que todo o amor é um louvor,

da natureza.


Se eu quero respeito

Procuro dar o que tenho

Porque dou amor que trago no peito,

dou a mão, onde me empenho.


Se quero ser amigo

Procuro abraçar o desconhecido

Compreender e dar abrigo

Ouvir e ser ouvido.


Se eu quero…

Eu luto até à exaustão

Eu procuro, não espero

Assim sou de coração.


José Alberto Sá

Minha amada


Minha amada


A menina corria

Na sua alegria

Em risos de liberdade

Que louca vontade

Que euforia

A menina saltava

Numa dança animada

De braços abertos rodopiava

Menina mimada

Ela tinha a força do mar

A grandeza das montanhas

O brilho do sol em seu raiar

e sorria de suas façanhas

De vestido verde alface

Olhos azuis cor do céu

Asas abertas de anjo, como quando nasceu

E eu delirava escondido, consolo meu

A praia era o seu palco

O mar a plateia

Tudo era belo, na dança e no salto

Parecia ser um anjo, ou uma sereia

Eu estava só, ali admirando

Só se ouvia o bater de palmas, do lindo mar

As pedras com o bater das ondas,

iam cantando.

Eu estava delirando e me estava apaixonando

Com vontade de a abraçar

Corri para ela, de braços abertos

Ela me recebeu!

Dançamos, saltamos, beijamos…

Estávamos libertos

E ela me conheceu!

Olhou para mim, olhei para ela

Que face tão linda, menina tão doce

A esposa que hoje tenho, menina bela

A minha janela

A vista para o mar

A minha dança, a dança dela

O meu saltar

O meu amar

A minha vida

Foi assim que a conheci

Mas…a história é mais comprida!


José Alberto Sá

sábado, 27 de agosto de 2011

Pobre ou rico


Pobre ou rico


Sentei-me no combro da horta

Sachola colocada a meu lado

Sabendo que ninguém se importa

Pela pobreza, por este meu fado


Sentei-me para olhar

Quantas sementes atirei

Quantas plantas semeei

Para me poder sustentar


O verde do oiro plantado

realçava na terra castanha

Minha alegria tamanha, mas pobre

Mas honesto...

Porque o resto...

É gente rica, gente nobre


Admirava o realce dos regos traçados

Alinhados e bem fardados

Vestidos a rigor

Eram legumes da minha horta

em todo o seu esplendor


Sentei-me consciente e feliz

Naquela terra estava a minha raíz

A janela do meu sol

A minha felicidade, a minha porta

O combro da minha horta,

também tinha um lençol

feito de verde esperança

E eu sentado admirava aquela dança


Borboletas actuavam para mim

No veludo verde da relva

Enfeitado por flores de Jasmim

Sentado descobri a minha riqueza

Sentado admirei o quanto cresci

Sentado vi toda beleza

Que a trabalhar eu construí


Pobre...mas rico de amor

Pobre...mas rico de felicidade

Pobre...mas rico de honestidade

Pobre...mas rico do meu saber

Pobre...mas rico por agradecer

Rico...porque assim eu quero ser


José Alberto Sá

Sem salvação


Sem salvação


De toalha na mão eu sacudi

Numa dança, como quem lança

a corda ao animal

Ela estava ali

Tagarela e cheia de confiança

Mas em fase terminal

Estava cansada

Escorregou descontrolada

Tinha levado uma verdoada

Tentou agarrar-se, mas nada...

Nada a conseguia parar

Caiu na água, que ali borbulhava

Nadava, rodopiava e se cansava

E eu assistia parado

Nada...nada...

Nada fiz, nada queria fazer

Eu só me ria de vê-la sofrer

Agoniava, barafustava, tentando sair

Não havia onde se agarrar

E eu...nada...

Nada fiz para a salvar

Era o fim

Estava caída no abismo

Desistiu de tudo, parou

não mais lutou

Então, aí sim...

Liguei o autoclismo

E vi a mosca desaparecer


José Alberto Sá

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sonhando com dor


Sonhando com dor


Passei o dedo

Sem medo

Senti humidade

Era verdade

O sangue fervia

E eu o sentia

A respiração acelerava

O coração saltava

Passei o dedo novamente

Senti-o dormente

Ficou frio

Não era no rio

Mas era no mar

Passei o dedo

Nas ondas sem medo

Queria gritar

Senti humidade

do meu transpirar

O sangue fervia

Porque eu o sentia

Na veia onde corria

Mas na verdade

era mentira

Eu estava a sonhar

E ao acordar

Vi meu dedo na boca

a me sofocar

Que coisa tão louca

Apertado no dente

estava dormente

Ainda bem que o ferrei

Só assim acordei


José Alberto Sá

Amiga


Amiga


Vozes do mar, eu ouvia

Vozes que ecoam vindo de longe

Sons doces que eu sentia

Ondas de sensibilidade feminina

Vozes de uma menina

Todos os dias mergulhava

e me sentava para lhe escrever

As suas palavras traziam-me tranquilidade

Reflectiam-se em meu ser

O perfume de toda a sua beldade

Deste lado do mar, conseguia imaginar

A delicadeza de seus dedos a teclar

Escrevia para mim, eu sentia um arrepiar

Dizia-me coisas de textura fina

Palavras aveludadas...carinhosa

Imaginava-a vestida com minha rima

Num vestido cor de rosa

É linda a minha amiga...meiga

Sabe compreender o que escrevo

Comenta-me com tal suavidade

Que me alimento de sua ceiva

Só o mar nos separa

Só...

Sinto-a tão perto, que quase lhe toco

Mesmo não sendo verdade

Sinto o seu cheiro perfumado

invadir as minhas páginas, minha essência

A minha amizade...

Sinto que conheci uma benção

Sinto-me acompanhado sem ausência

De uma Amiga do coração


José Alberto Sá

Banco de jardim


Banco de jardim

Olhava as árvores, sentado num bando de jardim
O verde luxuoso, era da cor de meus olhos
O dia estava quente, o sol brilhava
e por entre as folhas eu espreitava
Um piscar de olhos que me deslombrava.

O pardal saltitava na relva molhada
O chuveiro da mangueirada, reluzia quando caía
No chão molhado de terra batida
Uma pedra aqui e outra ali, chamavam à atenção
Era ali a sua morada.

O chilrear dos pássaros, eram música
Que no ouvido batia e que melodia!
Para mim era a música dos raios
e do sol daquele dia.

As folhas caídas no chão, tinham voado
Tinham deixado a sua mãe
Mexiam-se ao de leve, na dança do vento
Brisa suave que passava e eu aproveitava
Para fechar os olhos e sentir
Parecia um sussurro de alguém que me falava
para eu sorrir.

As goticulas da água, brilhavam no ar
e quando caíam, escondiam-se no chão
Atrás da relva
E o meu coração batia de contente.

As flores dos canteiros estavam abertas
Quantas cores as enfeitavam, largavam o polen
Caía a semente, eram tão espertas
Numa coroa de margarida, poisava uma abelhinha
Coitadinha, ali procurava oiro fino
Zumbia de feliz, parecia dizer-me olá
Passando rente ao nariz.

O banco onde me sentei, era velho
E eu pensei, quantas pessoas como eu
Ali estiveram a contemplar a beleza do jardim
Quantas já morreram de contentes,
por ali terem estado
Num banco de jardim por mim ocupado.

Sem medo que o tempo passe
Abri os olhos e o sol novamente me piscou
Atrás das folhas, me ensinou a sorrir
para a vida que passa, mas ali não passou
No banco que me fez colorir


José Alberto Sá

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Desajeitado


Desajeitado


Estava bonito, todo asseado

Calça vincada, era de cotim

Azul de mar e risco esverdeado

Três pregas em cima e um cinto carmim

Camisa de cetim muito branquinha

Botões doirados com um brasão

Ia estar com a menina, numa tasquinha

Então me fui apertando, botão a botão

Depois...

Depois...

Peguei-lhe com mão

Queria enfiar levemente

Escorregava-me da transpiração

Na pressa que me corria na mente

Novamente tentei

Novamente não consegui

Porque não conseguia...eu não sei

Mas frustrado me senti

Alarguei um pouco mais

Na esperança de ser naquele momento

Peguei-lhe com toda a força, perder jamais

O tempo passava, que sofrimento

Então, depois de ela aberta

eu consegui a penetração

Fiquei feliz por atingir a meta

De enfiar o último botão

Depois...

Depois...

Saí com ela


José Alberto Sá

Irracionais


Irracionais


Sou homem, mas podia não ser

Podia ter nascido mulher

Podia ter nascido outro animal

Ser cão, ser gato, ser cavalo

Ser um animal qualquer

Ser um cisne, uma gaivota, um pardal

Ser uma ave, cantar como um galo

Podia ter nascido peixe, do rio ou do mar

Ser uma sardinha, ser um bacalhau

Ser um peixe e numa rede ficar

Ou acabar assado como o carapau

Podia ter nascido uma flor

Ser uma giesta, ser uma rosa

Ser uma hortiga e criar dor

Ser uma árvore pequena ou grande e vistosa

Podia ter nascido um insecto

Ser uma libélula, uma borboleta

Acabar numa colecção, espetado num espeto

Ser feio e negro ou ter a cor violeta

Podia ter nascido invertebrado

Ser minhoca, ser lagarto

Acabar sendo abocanhado

Animais que amo e nunca me farto

Ser batráquio, ser serpente

Ser minúsculo, do tamanho de uma semente

A vida animal é uma dádiva de Deus

Nasci homem sou humano

Mas sei que somos nós e não por engano

Que matamos, os inocentes animais

Que também são meus

Porque achamos que somos perfeitos

E eles irracionais

Mas eles são como nós, têm direitos

Nasci homem como os demais

Pedindo direitos normais

Para homens e animais.


José Alberto Sá

Gostava...


Gostava...


Gostava de ser um rio

Morrer nos braços do mar

De um búzio fazer um assobio

E o amor poder chamar

Gostava de ser uma árvore

Morrer nos braços da lua

Bela, luminosa cor da mármore

Que sejas minha, pois eu sou tua

Gostava de ser o calor

Morrer nos braços do sol

Procurar no seu núcleo o meu amor

Viver com ele num girasol

Gostava de ser andorinha

Morrer nas ondas do vento

Podia ser também uma pombinha

Pois voar é o que mais tento

Gostava de ser uma flor

Morrer na terra como semente

Novamente nascer no colo do amor

E viver humildemente

Gostava de ser perfeito

Morrer sem medo da outra vida

Sonhar eternidade quando me deito

Mesmo não sabendo se há partida

Gostava de ser...

Morrer sem dor...

Viver sempre a escrever

Palavras de amor


José Alberto Sá

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Desculpa


Desculpa


Vem...

Porque te escondes?

É do frio que te eriça a pele?

É do calor que te faz preguiça

e te repele?

Porque não apareces?

É do brio e te possas estragar?

É do pecado e medo das preces,

para um Deus que não te quer olhar?

Porque não te vejo?

É do desrespeito pela verdade?

É da falta de coragem pelo desejo,

de quereres liberdade?

Porque foges de mim?

É da falta de coragem?

É da conversa que não teve fim?

É da vergonha da tua imagem?

Podes aparecer...

Podes sair...

Não te vais arrepender

Podes para mim correr...

Podes para mim fugir...

Não existe frio no meu regaço

Não existe calor, na tua ausência

Não existe brio, tudo é baço

Só existe o pecado e a tua insistência

Existe o desrespeito em tua vaidade

Não existe coragem em mim,

por não me falares

Não tenhas vergonha, sou a felicidade

Eu sou assim...peço desculpa

Eu espero por ti se me amares.

Vem...perdoa-me...se foi minha culpa


José Alberto Sá

Saber brincar


Saber brincar


Hoje apeteceu-me brincar

Peguei no pião e na feniqueira

No chão fiz um risco circular

Peguei em caricas e foi só brincadeira

Levava uma corda para saltar

Levava um elástico para pular

Levava uma bola para chutar

Jogamos às escondidas, fui eu a contar

1,2,3,...

Era a minha vez

Correr e esconder, para não ser visto

E sempre atento ao imprevisto

Não me queria sujar

No bolso tinha berlindes, bolinhas de encantar

Fazia covinhas no chão, para poder jogar

Tinha de brincar, queria recordar

Brincadeiras de menino, novamente sonhar

Que saudável, jogar à malha

Jogar às cartas com a maralha

A pequenada da minha idade

Hoje somos quase metade

Uns cresceram e não mais quiseram brincar

Outros têm vergonha de sonhar

Mas na verdade, eu só sinto vontade

e liberdade para brincar

Hoje foi um dia feliz

Um dia de muito ensino

Recordar o tempo de outrora

e sem demora ser menino.


José Alberto Sá

Nu, não resistas!


Nu, não resistas!


Dispo-me

fico nu

o frio agasalha-me

Sai-o à rua...sururu

Atrapalha-me!

Dispo-me

fico nu

as mãos me acaricíam

Fico na cama...sou o menú

E me vicíam!

Dispo-me

fico nu

Olhos famintos me querem comer

Venham meninas...eu estou cru

O meu querer!

Dispo-me

Fico nu

agachado escondendo a fronha

pareço um cachorro...pareço um lulu

Minha vergonha!

Dispo-me

Fico nu

Com vontade que me vistas

e fiques comigo...no meu baú

E não resistas!


José Alberto Sá

Vai nascer


Vai nascer


Sou um anjo, descido do céu

Sou homem, sou o enviado

De asas nas costas, o resto ao léu

Sou agradecido, sou abençoado

Desci das alturas, para vos salvar

Desci à terra, para fecundar

A fêmea, minha esposa, terei de amar

E nascerá o menino, em quem acreditar

Sou um anjo, de missão planeada

Sou um anjo, de amor infinito

Minha esposa, será rainha, minha amada

Meu filho será o mundo, eu acredito

Não existirão dúvidas, desci à terra

Beberei do meu mar

Comerei das entranhas da serra

E o mundo me irá adorar

Sou um anjo, de caminho trassado

Voarei sobre as trevas e acabarei com o mal

Levarei o menino, meu filho, meu legado

Pois ele será luz, será sol, será cristal

Eu sou um anjo, ele é universo

Junto da mãe será unicamente filho

Eu sou a paz, eu sou um verso

Convosco meu filho partilho

Nascerá outro homem, outro ser

Novamente viveremos sem podor

Do ventre da mulher irá nascer

Um novo mundo, com mais amor


José Alberto Sá

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ponto Final


Ponto final


Ponto final, aconteceu

Nem uma vírgula se moveu

O ponto final, sou eu

A vírgula, talvez me seja preciso

Se nas palavras escritas

Nas conversas ditas

Existir o juízo

Ponto final, Loucura minha

Gasto tempo, em nada

Uso o tempo na adivinha

Uso o caminho da escada

A pergunta sem resposta

O ponto final na risada

O desmoronar da nossa costa

Ponto final, mais nada

Ficou a história, o conto

Ficou na memória, a saudade

No ínicio um desconto

No fim, ponto final na liberdade

Acabou, tudo foi lindo

Terminou, tudo foi belo

Começar? Estou-me abrindo

Pegar na vírgula, criar um elo

Começar noutra linha

Outro parágrafo escrever

Falar de amor e seres minha

Se assim tiver de ser

O ponto final, passa a reticências

Continuar a nossa paixão

As vírgulas perdoarão resistências

Nos pontos da redação

Ponto final...

Onde está o mal?

É a vida animal, que não sabe amar

Em ponto final, sem pensar!


José Alberto Sá